sábado, 30 de janeiro de 2016

Verão: sombra, água fresca e um perfume

A mesa-redonda da qual participo esporadicamente, mas com muito prazer, é um grupo de meninas e meninos maravilhosos, com uma sensibilidade aguçadíssima, senso de humor e uma paixão: perfumes. 
Recentemente propus o tema sobre o qual agora escrevo. Elas foram pontuais. Eu, dez dias depois do prazo limite para a postagem, apareço com minha cara-de-pau. Ainda bem que todos ficamos muito à vontade no grupo e somos parceiros de verdade.
Bem, estive numa loja de perfumes há poucos dias a fim de encontrar algo novo para o verão. Adivinhem: não consegui resistir à tentação de me reencontrar com um clássico da perfumaria, pelo qual sou apaixonado, e que muitas lembranças me traz (Tenho uma queda por perfumes tradicionais). Falo de Armani pour Homme. Conheci essa fragrância há muito tempo, quando minha ideia de perfume importado se limitava a Azzaro. Resolvi ousar e comprei meu primeiro Armani, com frasco tradicional, sem válvula, de 50ml. Aquilo me pegou de jeito: eu me perfumava com enorme prazer. Suas notas cítricas e aromáticas explodiam, seguidas de leves nuances florais e esmaecendo em vagas de madeiras e couro. Revelava-se em frescor sofisticado, nobremente amadeirado, comparável apenas a pouquíssimos perfumes, como Eau de Sauvage, Pour Monsier, e Acqua di Parma. Armani pour Homme trazia, para mim, a imagem do homem elegante, discreto e genuinamente viril. Tem a ver com os cheiros de loções masculinas tradicionais e águas pós-banho que figuravam nos armarinhos do banheiro dos titios de antigamente. 
Bem, notaram que estou usando os verbos no passado? 
A questão é a seguinte: não comprei gato por lebre porque comprei Armani, de fato. Acontece que, desde o momento em que  peguei o frasco, notei uma ligeira diferença no design. A parte preta, na base, agora é metálica, mais "clean" e moderna. O perfume, ao ser aspergido, me trouxe aquele mesmo frescor, aquelas mesmas imagens de outrora. Sinto, porém, que agora temos um perfume ainda mais parecido com as águas masculinas que tanto fizeram a cabeça dos homens. Trata-se de um cítrico-amadeirado, cheio de frescor e vitalidade, mas carente daquelas notas florais, aquela "pegada" que fazia do perfume algo não só estimulante, mas ligeiramente desafiador (Talvez seja a
parte poética da minha memória que o fez assim). Só então entendi que comprei uma releitura de Armani pour Homme, lançado em 1984. Trata-se de Armani Eau por Homme e, confesso, não sei se veio pra somar ou substituir o clássico que todos conhecemos.
Mas a proposta não era falar de verão e do meu perfume para essa estação tão alegre e luminosa?!
Pois é: assim como a Cris Nobre (Templo dos Perfumes), resolvi homenagear um perfume e, no caso da minha escolha, embora seja algo bastante comercial, tem para mim grande valor. 
Estou feliz, apesar de inicialmente frustrado, com meu Armani. Um aroma leve, elegante e perfeito para todas as horas e para diferentes ocasiões. Uso para ir ao trabalho, para caminhar no fim da tarde, para dormir. Não agride e ainda contribui com uma boa dose de elegância. Suas notas cítricas (mandarina e bergamota) e aromáticas (manjericão, noz-moscada e cravo) injetam ondas de disposição e alegria. A base, ainda muito requintada, amarra o tema do perfume: uma colônia fresca e amadeirada, cheia de estilo e, embora destinada ao homem atual, carrega a tradição dos primeiros perfumes masculinos.
Verão é praia, é sol. Mas cheiro de protetor solar o tempo todo não dá (hahahah). Coisa boa é vestir roupas claras e leves e sair ao vento, no fim do dia, com meu Armani, meu mais novo namorado.
Armani Eau pour Homme seria o perfume que eu levaria caso me isolasse numa ilha banhada de sol, para me perfumar e para não me esquecer do arrojamento e da civilidade.
Outros aromas que acho a cara do verão: Marro (de Chlorophylla), H (também de Chlorophylla), Horizon (de Guy Laroche, do qual morro de saudade), Torment (L'acqua de Fiori), L'Eau D'Issey pour Homme (Issey Miyake), Bvlgari Eau Perfumée - au thé vert (Bvlgari) entre muitos outros.
É isso.

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2 comentários :

  1. Gente... você lembrou do Torment! Nossa, que nostalgia refrescante!
    Você escolheu um verão muito, muito chic!
    Beijos

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    Respostas
    1. Pri, morro de saudade do Torment!
      Que bom que vc se lembrou dele!

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