sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Perfume: mais que um cheiro limpo...

Barbara Herman é uma das primeiras blogueiras a trazer à tona uma interessante reflexão sobre os odores que devem figurar em um perfume, defendendo cheiros "animálicos", humanos e subversivos.
O odor obtido a partir de glândulas de animais (castor, almiscareiro, civeta etc.) está presente em criações inúmeras, algumas já consideradas clássicos da perfumaria. Até a década de 70 e início de oitenta, já fizeram parte do elenco de matérias-primas como estrelas. Hoje, são componentes sintéticos (por razões que, obviamente, valorizo), os quais figuram como parte da sinfonia de um perfume, mas que estão longe de definirem o tema da obra, salvo algumas poucas exceções.
Voltando a Barbara Herman, esta afirma que embora o perfume seja pensado, popularmente, como algo capaz de encobrir um mal cheiro, pode ser também uma meditação sobre o corpo humano, e os odores animais costumam se adequar à pele revelando significados realmente interessantes.
Notas que remetem a fluidos humanos, como  saliva, sangue e sêmen já participaram de criações que, muito além de um perfume, são obras conceituais e dignas de serem datadas e catalogadas para a história da perfumaria.
O conceito "sangue", por exemplo, de uma marca italiana, tinha nas notas metálicas do sangue sua "pegada" e deu origem a uma linha de perfumes que, infelizmente, não caiu no gosto das pessoas e foi descontinuada. 
Há criações atuais que tentam preservar essa pegada "suja" que dá esse tom ousado, animalesco e visceral aos perfumes, já com novas participações: o caviar, por exemplo.  Cartier Declaration, Musc Ravageur, de Frederic Malle e também o inquietante Womanity, de Thierry Mügler são algumas delas.
Enfim...
Cheiro de sexo, corpos suados, carne, cheiro de pele, simplesmente, podem fazer do perfume uma metáfora e, mais do que isso, um componente que comporá a imagem da embriaguez, da fome, da saciedade, do delírio, da sedução.
                                                                                             Fonte de pesquisa: Miguel Matos

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