quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Azzaro pour Homme

Este clássico masculino que figura entre os mais vendidos do mundo é, realmente, digno da posição, que ocupa. Criado em 1978, é um brilhante exemplar da família dos aromáticos, de base fougère, ou seja, composições de lavanda, frutos cítricos e ervas aromáticas.
Azzaro pour Homme é uma fragrância de personalidade forte, contundente, porém sem farpas, sem arestas. Sua expressão explosiva na saída, com notas de limão, bergamota, sálvia e cominho encontra no anis e no manjericão um doce alento, tornando a sinfonia 'arredondada",  luminosa e estimulante. A isso somam-se notas de cardamomo, zimbro e vetiver, atribuindo ligeiro amargor e odor terroso. Por fim, notas de couro, âmbar, almíscar e musgo de carvalho garantem a fixação e o apelo sedutor e marcante do perfume, atribuindo-lhe calor e longevidade.
Azzaro é uma bela sinfonia de fato, já que seus componentes se fazem perceber com perfeito equilíbrio entre si, criando diferentes momentos de prazer em cada etapa da evolução do aroma na pele. 
É imbatível quando o assunto é versatilidade (Costumo dizer que é o nosso jeans), além de ser atemporal.
Provavelmente o perfume mais imitado em toda história, ao lado de Chanel 5. 
Disponível em frascos de 30ml, 50ml, 100ml, 200ml e 400ml, além das miniaturas, é claro.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Insensé

Importante deixar claro que estamos falando da versão original, de conteúdo amarelo.

Um perfume que, seguramente, está entre os melhores perfumes masculinos já criados. Sua expressão de "liberdade austera", sofisticada, elegante e viril é inimitável. 

Insensé parte de uma sinfonia verde/aromática, ensolarada e estimulante que evolui para o balsâmico, lenhoso, lembrando incenso. As notas explosivas e masculinas da lavanda, manjericão, limão e tangerina prenunciam um coração floral delicado que logo é abraçado pelas notas amadeiradas e resinosas do abeto (espécie de pinheiro).
No plano geral, tem efeito verde limpo, transparente, cristalino, partindo do cítrico/aromático, passando discretamente pelas flores e morrendo nas notas densas e acolhedoras de algo que me soa vetiver. Há também notas de aldeídos, pouco comuns em perfumes masculinos, que realçam as ondas florais em meio aos acordes aromáticos.
Um perfume ousado, original, à frente de seu tempo. E inesquecível.
Considerado por muitos a obra-prima da Givenchy, é, hoje, raríssimo.
Criado em 1993, por Daniel Moliere.

L'Air du Temps

A fragrância criada por Francis Fabron e Robert Ricci (filho de Nina) surge como uma alusão à paz, no pós Segunda Guerra Mundial (1948). 
Trata-se de uma obra-prima, atemporal, que figura entre os perfumes mais importantes da História, apreciado pela nossa inesquecível Lady Di.

A sinfonia se dá de forma romântica, floral, porém com o uma sugestão spicy em seu núcleo. Contém rosas, orquídeas, gardênias e ylang-ylang, que são flores bastante distintas quando o assunto é aquilo que cada uma delas evoca: romantismo, volúpia, feminilidade... Além disso, notas de raiz de íris conferem um efeito "empoado" ao perfume, o que evidencia o estilo retrô da obra. As violetas também estão presentes.
L'Air du Temps é um aroma romântico e, para alguns, uma bomba floral "grosseira". Isso porque não se percebe claramente a evolução dos acordes e também pelo fato de os aldeídos realçarem os aromas florais sem, no entanto, manter o frescor das pétalas. O que temos é um arranjo floral "envelhecido" que, ao final, deixa na pele um rastro atalcado, típico dos aldeídos, como ocorre em Chanel nº 5 e em First (embora sejam perfumes tão diferentes). 
Há ainda o pau-rosa, estrela do já citado nº 5, além de benjoim, musgo de carvalho, almíscar, sândalo e vetiver. 
O projeto do frasco envolve ninguém menos que o joalheiro René Lalique e faz menção à paz, com duas pombas brancas na tampa.
Foi sucesso de vendas nas décadas de 50 e 60 e ainda hoje tem seus adoradores.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Perfume: mais que um cheiro limpo...

Barbara Herman é uma das primeiras blogueiras a trazer à tona uma interessante reflexão sobre os odores que devem figurar em um perfume, defendendo cheiros "animálicos", humanos e subversivos.
O odor obtido a partir de glândulas de animais (castor, almiscareiro, civeta etc.) está presente em criações inúmeras, algumas já consideradas clássicos da perfumaria. Até a década de 70 e início de oitenta, já fizeram parte do elenco de matérias-primas como estrelas. Hoje, são componentes sintéticos (por razões que, obviamente, valorizo), os quais figuram como parte da sinfonia de um perfume, mas que estão longe de definirem o tema da obra, salvo algumas poucas exceções.
Voltando a Barbara Herman, esta afirma que embora o perfume seja pensado, popularmente, como algo capaz de encobrir um mal cheiro, pode ser também uma meditação sobre o corpo humano, e os odores animais costumam se adequar à pele revelando significados realmente interessantes.
Notas que remetem a fluidos humanos, como  saliva, sangue e sêmen já participaram de criações que, muito além de um perfume, são obras conceituais e dignas de serem datadas e catalogadas para a história da perfumaria.
O conceito "sangue", por exemplo, de uma marca italiana, tinha nas notas metálicas do sangue sua "pegada" e deu origem a uma linha de perfumes que, infelizmente, não caiu no gosto das pessoas e foi descontinuada. 
Há criações atuais que tentam preservar essa pegada "suja" que dá esse tom ousado, animalesco e visceral aos perfumes, já com novas participações: o caviar, por exemplo.  Cartier Declaration, Musc Ravageur, de Frederic Malle e também o inquietante Womanity, de Thierry Mügler são algumas delas.
Enfim...
Cheiro de sexo, corpos suados, carne, cheiro de pele, simplesmente, podem fazer do perfume uma metáfora e, mais do que isso, um componente que comporá a imagem da embriaguez, da fome, da saciedade, do delírio, da sedução.
                                                                                             Fonte de pesquisa: Miguel Matos

Ô d'Azur for Women

Lançada em 2010, a fragrância alude ao frescor proposto pelo seu precursor e já clássico Ô de Lancôme, porém a novidade chega mais floral, mais feminina e delicada.
Ô d'Azur é um exemplar floral/frutal de estrutura simples e de tema recorrente, lembrando mais um floral verde (embora seu nome tenha "azul"), como verificado em Pastel de Cabotine, de Grés e em Escada Sport Feeling, por exemplo.
Tem notas cítricas que asseguram seu frescor, como bergamota e limão. O coração é floral, com pimenta rosa, a qual, ao contrário do que muitos dizem, não confere "picância" a um perfume e sim o apelo verde de que falei no início (Digo isso com propriedade, já que tenho um pé de pimenta-rosa no quintal e vivo fazendo experiências com essas pequeninas delícias.).
A base é discreta a apresenta notas "animálicas" e amadeiradas.
Combina com o verão e com o dia. É prático e delicioso, porém menos cintilante e alegre do que eu esperava.

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