quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Azzaro pour Homme

Este clássico masculino que figura entre os mais vendidos do mundo é, realmente, digno da posição, que ocupa. Criado em 1978, é um brilhante exemplar da família dos aromáticos, de base fougère, ou seja, composições de lavanda, frutos cítricos e ervas aromáticas.
Azzaro pour Homme é uma fragrância de personalidade forte, contundente, porém sem farpas, sem arestas. Sua expressão explosiva na saída, com notas de limão, bergamota, sálvia e cominho encontra no anis e no manjericão um doce alento, tornando a sinfonia 'arredondada",  luminosa e estimulante. A isso somam-se notas de cardamomo, zimbro e vetiver, atribuindo ligeiro amargor e odor terroso. Por fim, notas de couro, âmbar, almíscar e musgo de carvalho garantem a fixação e o apelo sedutor e marcante do perfume, atribuindo-lhe calor e longevidade.
Azzaro é uma bela sinfonia de fato, já que seus componentes se fazem perceber com perfeito equilíbrio entre si, criando diferentes momentos de prazer em cada etapa da evolução do aroma na pele. 
É imbatível quando o assunto é versatilidade (Costumo dizer que é o nosso jeans), além de ser atemporal.
Provavelmente o perfume mais imitado em toda história, ao lado de Chanel 5. 
Disponível em frascos de 30ml, 50ml, 100ml, 200ml e 400ml, além das miniaturas, é claro.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Insensé

Importante deixar claro que estamos falando da versão original, de conteúdo amarelo.

Um perfume que, seguramente, está entre os melhores perfumes masculinos já criados. Sua expressão de "liberdade austera", sofisticada, elegante e viril é inimitável. 

Insensé parte de uma sinfonia verde/aromática, ensolarada e estimulante que evolui para o balsâmico, lenhoso, lembrando incenso. As notas explosivas e masculinas da lavanda, manjericão, limão e tangerina prenunciam um coração floral delicado que logo é abraçado pelas notas amadeiradas e resinosas do abeto (espécie de pinheiro).
No plano geral, tem efeito verde limpo, transparente, cristalino, partindo do cítrico/aromático, passando discretamente pelas flores e morrendo nas notas densas e acolhedoras de algo que me soa vetiver. Há também notas de aldeídos, pouco comuns em perfumes masculinos, que realçam as ondas florais em meio aos acordes aromáticos.
Um perfume ousado, original, à frente de seu tempo. E inesquecível.
Considerado por muitos a obra-prima da Givenchy, é, hoje, raríssimo.
Criado em 1993, por Daniel Moliere.

L'Air du Temps

A fragrância criada por Francis Fabron e Robert Ricci (filho de Nina) surge como uma alusão à paz, no pós Segunda Guerra Mundial (1948). 
Trata-se de uma obra-prima, atemporal, que figura entre os perfumes mais importantes da História, apreciado pela nossa inesquecível Lady Di.

A sinfonia se dá de forma romântica, floral, porém com o uma sugestão spicy em seu núcleo. Contém rosas, orquídeas, gardênias e ylang-ylang, que são flores bastante distintas quando o assunto é aquilo que cada uma delas evoca: romantismo, volúpia, feminilidade... Além disso, notas de raiz de íris conferem um efeito "empoado" ao perfume, o que evidencia o estilo retrô da obra. As violetas também estão presentes.
L'Air du Temps é um aroma romântico e, para alguns, uma bomba floral "grosseira". Isso porque não se percebe claramente a evolução dos acordes e também pelo fato de os aldeídos realçarem os aromas florais sem, no entanto, manter o frescor das pétalas. O que temos é um arranjo floral "envelhecido" que, ao final, deixa na pele um rastro atalcado, típico dos aldeídos, como ocorre em Chanel nº 5 e em First (embora sejam perfumes tão diferentes). 
Há ainda o pau-rosa, estrela do já citado nº 5, além de benjoim, musgo de carvalho, almíscar, sândalo e vetiver. 
O projeto do frasco envolve ninguém menos que o joalheiro René Lalique e faz menção à paz, com duas pombas brancas na tampa.
Foi sucesso de vendas nas décadas de 50 e 60 e ainda hoje tem seus adoradores.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Perfume: mais que um cheiro limpo...

Barbara Herman é uma das primeiras blogueiras a trazer à tona uma interessante reflexão sobre os odores que devem figurar em um perfume, defendendo cheiros "animálicos", humanos e subversivos.
O odor obtido a partir de glândulas de animais (castor, almiscareiro, civeta etc.) está presente em criações inúmeras, algumas já consideradas clássicos da perfumaria. Até a década de 70 e início de oitenta, já fizeram parte do elenco de matérias-primas como estrelas. Hoje, são componentes sintéticos (por razões que, obviamente, valorizo), os quais figuram como parte da sinfonia de um perfume, mas que estão longe de definirem o tema da obra, salvo algumas poucas exceções.
Voltando a Barbara Herman, esta afirma que embora o perfume seja pensado, popularmente, como algo capaz de encobrir um mal cheiro, pode ser também uma meditação sobre o corpo humano, e os odores animais costumam se adequar à pele revelando significados realmente interessantes.
Notas que remetem a fluidos humanos, como  saliva, sangue e sêmen já participaram de criações que, muito além de um perfume, são obras conceituais e dignas de serem datadas e catalogadas para a história da perfumaria.
O conceito "sangue", por exemplo, de uma marca italiana, tinha nas notas metálicas do sangue sua "pegada" e deu origem a uma linha de perfumes que, infelizmente, não caiu no gosto das pessoas e foi descontinuada. 
Há criações atuais que tentam preservar essa pegada "suja" que dá esse tom ousado, animalesco e visceral aos perfumes, já com novas participações: o caviar, por exemplo.  Cartier Declaration, Musc Ravageur, de Frederic Malle e também o inquietante Womanity, de Thierry Mügler são algumas delas.
Enfim...
Cheiro de sexo, corpos suados, carne, cheiro de pele, simplesmente, podem fazer do perfume uma metáfora e, mais do que isso, um componente que comporá a imagem da embriaguez, da fome, da saciedade, do delírio, da sedução.
                                                                                             Fonte de pesquisa: Miguel Matos

Ô d'Azur for Women

Lançada em 2010, a fragrância alude ao frescor proposto pelo seu precursor e já clássico Ô de Lancôme, porém a novidade chega mais floral, mais feminina e delicada.
Ô d'Azur é um exemplar floral/frutal de estrutura simples e de tema recorrente, lembrando mais um floral verde (embora seu nome tenha "azul"), como verificado em Pastel de Cabotine, de Grés e em Escada Sport Feeling, por exemplo.
Tem notas cítricas que asseguram seu frescor, como bergamota e limão. O coração é floral, com pimenta rosa, a qual, ao contrário do que muitos dizem, não confere "picância" a um perfume e sim o apelo verde de que falei no início (Digo isso com propriedade, já que tenho um pé de pimenta-rosa no quintal e vivo fazendo experiências com essas pequeninas delícias.).
A base é discreta a apresenta notas "animálicas" e amadeiradas.
Combina com o verão e com o dia. É prático e delicioso, porém menos cintilante e alegre do que eu esperava.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Os melhores do mundo 2015

Promovido pela Frangrance Foundation, o Oscar da perfumaria premia as melhores criações de cada ano, baseando-se em quesitos como maior prestígio, o mais popular, as embalagens mais criativas, os mais vendidos entre outros. Perfumes como Coco Mademoiselle, J'adore e Flower by Kenzo, por exemplo, ja foram considerados os mais vendidos e famosos do mundo.
Este ano, seguem os premiados em cada categoria:

Categoria Luxo / Masculino:











Categoria Luxo / Feminino:












Categoria Popular / Masculino:












Categoria Popular / Feminino:












Categoria Prestígio / Masculino:












Categoria Prestígio / Feminino:












Categoria Melhor Embalagem / Masculino:












Categoria Melhor Embalagem / Feminino:












Categoria mais Popular:












Categoria mais Extraordinário:












A fonte é a revista Exame.com
Espero que tenham gostado. Aproveitem as dicas e arrasem!
Até!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

SE É PARAÍSO, TEM QUE CHEIRAR BEM

A ideia nasceu assim: moro na cidade de Porto Seguro, uma cidade linda, mas que tem cheiro de peixe frito. Um lugar-colírio, mas peixe frito só seria o aroma do paraíso no caso de alguém faminto e, de preferência, que goste de peixe (risos).

Besteiras minhas...

É só uma brincadeira e um exagero, mas que me permite introduzir mais um de meus devaneios, em uma de nossas mesas-redondas: "Qual é o cheiro do Paraíso?"
E vejam bem: usei letra maiúscula para sinalizar que não se trata de algo comum. Falo aqui do Paraíso edênico, de um lugar que habita o nosso imaginário e a Literatura, onde tudo é bonito, harmonioso: perfeito.
Então pensemos: se é Paraíso, tem que cheirar bem. E qual seria o perfume do Paraíso?
Se beleza, harmonia e perfeição são as palavras que definem esse lugar, é a partir dessas palavras que pensarei no perfume.
Uma das campanhas de Kenzo pour Homme trazia escrito algo como "enquanto isso na outra extremidade do mundo". Esse perfume contém, em sua estrutura aromática, um frescor marinho, sutilmente ressignificado pela sutileza das flores, com o requinte das madeiras que crescem nas montanhas, como os pinheiros e o cedro. É belo e harmonioso o suficiente para que figure entre os aromas que, sugiro eu, devem captar o perfume do Paraíso, ou seja, a frase da peça publicitária de Kenzo deveria ser: Enquanto isso no Paraíso..." Isso para aqueles que não conseguem pensar no paraíso sem pensar no mar, ma maresia, nas matas, no vento. Kenzo pour Homme é a nobreza das manhãs praieiras que figura nas encostas verdes de algum recanto intocado.
Outra forma de conceber o Paraíso: campos floridos, iluminados. A luz das pétalas, do colorido, da manhã. A alegria. J'adore L'Eau Cologne Florale. Uma fragrância que surge dez anos após o estrondoso J'adore, com uma releitura divinamente harmoniosa e iluminada. São tons florais nobres e delicados de magnólias, ylang-ylang e flor de laranjeira e combinados com os citrinos de forma a revelar o otimismo da nova estação, cheia de frescor e vitalidade.
Outra fragrância que me ocorre aos galopes quando o tema é paraíso: a criação sui generis de Cacharel: Eden. Já o citei em outro momento, numa outra mesa-redonda, que me rendeu uma interessante postagem: "A poção da eternidade". Falava em perfumes eternos, criados para tornar alguém imortal. Agora Eden é também sinônimo de paraíso. Ele é o nome do próprio Paraíso: o Jardim do Éden. E tem muito a ver com eternidade, imortalidade, enfim. Se é o Paraíso, sofrimento, dor e morte não existem, pelo menos enquanto durar o prazer, lembrando nosso imortal Vinícios de Moraes. Eden é um perfume floral intoxicante, de base verde, o qual aprisiona a alma das flores ofegantes, para que você possa delas desfrutar. Tem um apelo "envelhecido" que o torna vintage e peculiar.


Agora, que tal o Paraíso concebido entre quatro paredes, entre os lençóis, com luz branda e a dois?! O leitor pode até sorrir neste momento e achar que minha descrição mais se aproxima de um "inferninho" (hahahha). Nada disso: morder o fruto proibido foi desfrutar do Paraíso em todas as suas potencialidades e atingir a plenitude do prazer, mesmo que depois tenha havido vergonha e coisa e tal; nada que uma boa terapia não resolva (risos).

À parte a brincadeira, estar em paz consigo é estar no Paraíso. Estar em paz consigo e ao lado de alguém que se deseja e/ou ama, é estar no Paraíso com bônus de visitante Vip. E o perfume tem de ser Hypnotic, de Dior. A começar pelo formato do seu frasco, lembrando a tentação, a maçã, o vermelho, a sedução. Sua fragrância é uma afronta ao recato e ao pudor, com ondas insinuantes de acordes doces, cálidos e cremosos: ameixas, damascos, amêndoas, baunilha, coco, caramelo e madeiras nobres fazem de Hypnotic algo tentador e infalível.
Se o oposto de Hypnotic é ser angelical, não sugeriria Angel, de Thierry Mugler por duas razões: andaram confundindo inocência com pasmaceira (hahaha), além do que o oposto de tanta luxúria e prazer, mas que contenha a essência do Paraíso, há de ser sutil, suave e onírico: Esencia de Duente, de J. del Pozo. Um floral fresco, com acordes aquáticos, levemente adocicado, contendo jasmim, lírio-do-vale, lótus e jacinto, além de madeiras como cedro, sândalo e mogno, É uma sinfonia leve e cristalina. Não traz o cheiro das matas, onde provavelmente vivem os duendes, mas das margens de lagos calmos, límpidos e refrescantes. Uma pureza inspiradora.
Para fechar, o impacto terroso que abre horizontes de possibilidades: Terre D'Hermès. Um paraíso pronto pra ser criado, do jeitinho que você escolher: tem a liberdade, tem a sedução.
Bem: é isso! Espero que tenham gostado das minhas sugestões.
Gostaria, agora de saber de vocês, leitores: qual o perfume do seu Paraíso? Vamos lá! Participem!
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Visitem também os posts de meus queridos:
Parfumée
Floral e Amadeirado
A Louca dos Perfumes
Templo dos Perfumes




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

JOOP! FEMME JOOP!

Joop! Femme Joop! foi criado em 1987 e carrega os ares da década que, a meu ver, foi uma das mais criativas em termos de perfumaria.
A fragrância tem o refinamento e a tradição dos aldeídos e a rusticidade picante e amarga do coentro, que ressignificam os ares florais (de rosa e jasmim, principalmente) e frutais.
Assegurando a composição, temos as madeiras de sândalo e cedro, além da insinuação dos almíscares, civeta, âmbar e baunilha, ressaltando um calor delicado, que envolve o perfume com nobreza e certa opulência e se adéqua à pele com perfeição.
Joop! Femme Joop! tem um interessante efeito floral seco, atalcado e cálido, que percebi em alguns poucos perfumes: Le Baiser du Dragon, de Cartier, e Obssession, de CK.
Trata-se de um perfume feminino sóbrio e refinado, facilmente compartilhável, com a pegada dos clássicos franceses.
Excelente e com o preço bem interessante.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Elysée

A brasileira O Boticário lança um eau de parfum bastante sofisticado e inspirado numa fragrância internacional de primeira grandeza, premiada em 2004 e 2007: Narciso Rodriguez for Her
De todas as "inspirações" da marca, baseadas em fragrâncias mundialmente conhecidas (como Crazy, Quasar, North Wind, Rhea etc), esta talvez seja a que mais me impressionou, devido à sua semelhança com a versão primeira. 
Elysée é um perfume feminino, de coração floral e almiscarado, e base amadeirada e nobre. Exala feminilidade de um modo sofisticado e elegante. 
No arranjo de flores, destacam-se as rosas que, somadas às notas almiscaradas e às amadeiradas, como cedro e sândalo, criam esse efeito que beira a opulência.  Há algo de notas frias que contrastam com o calor das madeiras e das notas doces da fava-tonka, da baunilha e do benjoim - o que torna o perfume um belo exemplar da família chypre.
Ainda contamos com um certo amargor durante a evolução das notas, criado pelo fusão das ondas cremosas com o espírito rascante do patchouli, provavelmente.
Elysée não é um perfume jovem. É um perfume destinado à mulher em sua plenitude.
O frasco alude a uma joia (assim como seu preço), referenciando a feminilidade e o poder da mulher e muito se parece com o da fragrância internacional Elie Saab for Women.
Pra finalizar, cabe lembrar que a fragrância em questão não tem a ver com o primeiro Elysée lançado pela empresa na década de 90 e já descontinuado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

É mais além

Há cheiros com o estranho poder de influenciar o pensamento, os desejos e marcarem a memória de forma indelével. Alguns podem interferir até no comportamento.
Um sonho para qualquer perfumista é conseguir captar certas atmosferas oníricas, certas passagens, certos momentos fragrantes que marcaram suas vidas.
Não me refiro aqui a apenas notas olfativas que podem estar presentes numa fragrância. Falo de cheiros naturais de objetos, ambientes e até de pessoas...
Um bom exemplo é o aroma exalado por abobrinhas verdes, sob o sol, ainda no pé: pura obscenidade (rsrsrs). Também o cheiro de suas flores. Há uma pungência sem precedentes, a qual até mesmo a escritora Adélia Prado percebeu:

"O cheiro da flor de abóbora, a massa de seu pólen,
para mim, como óvulo de coelhas.
- Vinde zangões, machos tolos,
picar a fina parede que mal segura a vida,
tanto ela quer viver.
Ainda que não vos houvesse
eu fecundaria essas flores com meu nariz proletário.
- Ora, direis, um lírio ignóbil.
Pois vos digo que a reproduzo em ouro
sobre meu vestido de núpcias, meu vestido de noite.
Dentro do quarto escuro, ou na rua sem lâmpadas,
de cidade ou memória, um sol.
Como pequenas luzes esplêndidas."
(PRADO 1987: 27)

Para mim, também o cheiro da mexerica: minhas mãos, durante todo o dia, cheirando ao sumo da fruta que impregnava todas as minhas travessuras mais secretas. E os copos-de-leite, no brejo, onde eu entrava, temendo afundar no lodaçal, também perfumado, cheiro de terra e mato, a fim de colher as flores de aroma atalcado e discreto. O cheiro do capim-gordura, ornando as manhãs frias, orvalhadas, da minha criancice.
Difícil definir, quase impossível. É que as palavras não são capazes...
Penso eu que seria a glória poder identificar certas nuances em algum perfume. Seria pura magia.
Na verdade, há algumas obras que tocaram fundo minha memória olfativa e me levaram pra esses cantinhos da alma: Yang, de O Boticário; Paradoxo, de Chlorophylla; Nu, de YSL; Insensé, de Givechy, Kouros, de YSL, Kenzo pour Homme, de Kenzo entre outros.
E no seu caso? Que cheiros provocam sua sensibilidade? E os perfumes? Quais são aqueles que fazem muito mais que apenas perfumar?
Compartilhem!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tendre Poison

Uma raridade que se encontrava entre as obras-primas venenosas da casa Dior.
Criada em 1994 e já descontinuada, a fragrância em questão faz parte da "série" "poison", iniciada pelo perfume de mesmo nome, em 1985. Trata-se de um floral branco, insinuando notas verdes, que contrastam seu frescor com o calor e a doçura do mel e das madeiras, além da sugestão sensual do almíscar. Tendre Poison tem a sofisticação e a feminilidade únicas das flores brancas, potencializadas pelas notas profundas e contundentes da rara tuberosa e a vivacidade das notas verdes, evocando um espírito feminino, vaporoso, exultante e natural.
O perfume ainda conta com notas de baunilha e sândalo, além das rosas, no coração da fragrância.
Há uma semelhança bastante notável com Cabotine, de Grés, e com o também descontinuado Spirit of Flowers, de O Boticário.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Allure Sensuelle EDP

Nunca me decepciono com Chanel. Sou fã de carteirinha.
Recentemente adquiri um frasco de Allure Sensuelle EDP e me encantei com a sofisticação da fragrância, além de um discreto aceno sensual, obtido por uma baunilha discreta aliada à transpiração ofegante das flores, envolvidas em âmbar e almíscar.
O perfume se abre doce e cintilante, com cítricos assegurados por vanila nobre e bem dosada. O corpo é floral/frutal, contendo jasmim, rosas e pó de íris, além de um mix de frutas secas. Obtém-se, então, um expressão feminina muito íntima e delicada, mais noturna, somando os florais mais que nobres ao pêssego, principalmente. Allure Sensuelle é discretamente luxurioso.
A base é duradoura e mantém um efeito de flores ambaradas por horas. Conta com notas terrosas de vetiver, patchouli, a nobreza do sândalo e a sensualidade do âmbar e do almíscar.
Um excelente e luxuoso perfume, o qual me lembra, nas notas iniciais, Coco Noir, também de Chanel.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Portinari

A fragrância é uma das últimas a causar boa impressão nos amantes da marca de outros tempos.
Trata-se de uma colônia amadeirada/aromática, com arranque expressivo de notas herbais, como o manjericão e o cipreste, além da tradicional lavanda e dos cítricos. Na verdade, Portinari é uma clássica combinação masculina, pouco inovadora, mas bastante diferente na época em que foi lançada. Prossegue com notas levemente picantes e amadeiradas, como as do cravo e as
do vetiver, com um toque adocicado de fava tonka, conhecida como cumaru, no Brasil. Ou seja:
o tradicional cheiro explosivo e estimulante de lavanda fresca seguido de notas mais densas de resinas e madeiras e, por fim, adocicadas, como ocorre em muitos perfumes masculinos mais modernos e urbanos (Aliás, uma tendência que tem acabado com a alegria de muitos amantes e entendedores de perfumes, uma vez que se tornou o cheiro comum a quase todos os perfumes masculinos do momento).
Lembra-me muito Blue Jeans, de Versace, nos primeiros instantes.

Ando sumido, né?!

Pois é, meus queridos leitores: tenho trabalhado tanto, que mal tenho tempo de postar minhas resenhas. Mas peço que não desistam de mim. Em breve teremos novidades.
Beijo em cada um de vocês.
Cris

terça-feira, 28 de julho de 2015

Uomini Origem


A fragrância masculina que O Boticário lançou em comemoração ao Dia dos Pais merece minha atenção, uma vez que percebi nela algo que a diferencia das intermináveis reincidências da marca. Uomini Origem tem como ponto forte e distinto a presença de uma madeira nobre e rara, chamada blackwood, encontrada na ilha australiana da Tasmânia. Segundo descrições, apresenta aroma de madeira verde.

Bem, a fragrância é realmente agradável, porém discreta e não indicada para quem gosta de perfumes mais intensos. 
O aroma apresenta certa picância, lembrando gengibre, morrendo em notas terrosas, mais cálidas, provavelmente do vetiver,  e bastante sofisticadas, referenciando o cheiro natural da terra e das raízes e o frescor do verde das matas.
O frasco é belíssimo e remonta à masculinidade pela sua cor, textura e formato.
Um perfume original, embora sutil aos extremos.




Play Intense for Men

A fragrância em questão é uma versão mais oriental, levemente gourmand, se comparada ao anterior Play for Men, cujo frasco é branco e leitoso.
Play Intense se abre cítrico, porém logo revela suas notas mais especiadas, com acento de café, pimenta rosa e fava-tonka, semelhante à baunilha. O perfume, curiosamente, parece não percorrer as tradicionais fases de evolução, uma vez que, passados os primeiros instantes das notas de cabeça, revela-nos um mix oriental black sentido, geralmente, nos acordes finais de uma fragrância. ou seja, a impressão é que Play Intense é composto somente de notas de base, sem a sinfonia que nos encaminha até elas.
Tem aroma quente, adocicado e sutilmente rascante e esfumaçado, lembrando-nos muito alguns outros perfumes orientais fougère, porém com certa personalidade.
Segundo alguns leitores, é encantador para quem curte o cheirinho macio e limpo das lojas de roupas em shoppings.
O frasco é bastante moderno e alude à juventude na vida urbana, cheia de estilo.
Contém notas de patchuli, vetiver e labdanum.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Infusion d'Iris Eau de Toilette

Confesso que ando meio enciumado com o sucesso desta fragrância (rsrsrs). Isso porque sempre fui fã incondicional de Chanel 19. Quando lançaram a versão "poudré", senti-me meio na contramão das preferências, uma vez que também me tornei súdito do flanker, enquanto a maioria dos que o sentiam diziam se tratar de algo estranho, indefinido ou, nos casos mais graves, de um cheiro que lembrava o percevejo verdinho, famoso pelo seu odor nada agradável (ai, meu Deus).
Pois bem: lançaram Infusion d"Iris na versão toilette e rapidamente tornou-se um dos campeões de comentários e de desejo de consumo entre os amantes de perfumes. Já sabia que era uma fragrância inspirada, principalmente, na íris (pra ser bem exato: pó de íris, uma vez que é marca registrada de ambas as fragrâncias a película floral empoada, às vezes úmida, como os líquens que crescem nas florestas). 
No caso do perfume em questão, há notas mais leves, verdes e delicadamente atalcadas, lembrando, até, em momentos inciais, aquele delicioso cheirinho das lavandas de bebê.
Infusion d"Iris eau de toilette foi criado para quem curte se perfumar com abundância, sem se impregnar de algo intoxicante ou invasivo. É leve, despretensioso e extremamente agradável.
Contém notas de cedro, flor de laranjeira, lírio do vale e violetas, além de uma pitada discreta de resina.
Finalmente o cheirinho de percevejo caiu nas graças dos perfumaníacos, não é, Heriks Barcellos?

sexta-feira, 10 de julho de 2015

In Memorian

Grata surpresa: O Boticário está relançando, numa coleção batizada de Amores Inesquecíveis, algumas fragrâncias descontinuadas que deixaram saudade: Rhea, North Wind, Innamorata, Crazy, Femme.com, Annete e Insensatez. As embalagens, maravilhosas, são as mesmas e famosas ânforas da marca, de cor dourada, com exceção de North Wind, que conserva o verde original. 
Claro que a saudade não é tão grande: a empresa está pondo no mercado o que ainda tem em estoque de produção, certamente, uma vez que nenhum dos itens citados seja um caso antigo de interrupção. Mesmo assim, já é um grande passo. Ficaremos esperando ansiosos que, em respeito aos consumidores que fizeram dessa empresa um grande nome, retornem com as pérolas mais raras e descontinuadas há muitos anos, como Yang, Spirit of flowers, Exuberance, Tuareg, Eros, Athena, Kalanit, Zíngara, Goldie, entre outros.
As fragrâncias são ofertadas em frascos de 110ml.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Womanity

Depois de algum tempo longe dos meus queridos leitores, volto com uma obra instigante e cujas sensações despertadas até agora não consegui definir em palavras: Womanity, de Thierry Mugler. 
Bem, pra começar, já não esperava algo muito convencional, afinal estamos falando de uma marca que revolucionou o mundo da perfumaria com a contemporaneidade e ousadia de Angel e suas notas gulosas de chocolate, caramelo e afins.
Womanity é, no mínimo, intrigante: notas de figo explodem suculentas e doces, seguidas de um sal marinho, maresia, representadas pelas notas de alusão ao caviar. A combinação de contrastes, aliada a uma base amadeirada é algo nunca antes sentido, mas o que mais me encantou foram os últimos acordes (duradouros, porém), que nos remete a algo amanteigado e, por isso, sensual e quase erótico. Um aroma que nos leva a atmosferas indecentes ou, pelo menos, inquietantes.
O frasco é uma obra de arte e traz no topo decoração em frisos de metal rude e escurecido, lembrando a arte gótica.
Para quem deseja um perfume que vai além da simples função de perfumar. Para quem entende perfume como uma arquitetura poética e de possibilidades. Para quem é de vanguarda.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Perfume e Poesia

O tema deste mês da confraria é delicioso: Perfume e Literatura! Um mundo de possibilidades... E como meu gênero literário preferido é o lírico, a poesia, vamos pensar nessa poderosa combinação: Perfume e Poesia.
Se aqui fosse falar dos meus poemas preferidos, minhas obras, meus escritores, teríamos certa dificuldade em finalizar o texto (rsrsrs). A poesia que emana das peripécias linguísticas do meu amado Guimarães, a densidade poética, feminina e existencial de Clarice, o cotidiano aparentemente simples e tremendamente profundo de Adélia, enfim... Tudo isso é poesia da melhor qualidade. Tudo isso tem aroma, tudo é tão vivo...
Mas aqui falei de alguns perfumes que, para mim, são pura poesia e isso por diferentes razões: ou pela engenhosa arquitetura ou pelo efeito quase sinfônico de sua evolução e de seu efeito na pele.
Começo com Poison, de Dior: um poema nostálgico, sedutor e contundente. Suas notas doces que misturam flores, frutas, mel  e incenso, consegue me trazer os ares dos anos 80, com toda a sua poesia, sua música e suas possibilidades. Uma trombeta nos ouvidos da ingenuidade! Uma tentação doce, obscura e suculenta . Uma gostosa e sempre nova reincidência.
E mais uma vez aparece meu amado Insensé (o amarelinho) da Givench: cheiro de poesia, de literatura. Cheiro mágico de lavanda e cítricos incensados, com aldeídos, lembrando-nos o prazer das páginas de livro novo, aconchegado na poltrona, com a chuva fininha lá fora. Cheiro limpo e sofisticado. Um estímulo e tanto à nossa criatividade.
Para fechar esse maravilhoso acervo, Uma escolha bem peculiar: Affinity, de O Boticário. Bela poesia dos movimentos do amor. Uma fragrância fora de linha há décadas e que ainda me faz muita falta. Vontade de recordar certos momentos de enorme beleza. Notas de rosas atabacadas, rascantes, que residia entre os delicados florais do final dos anos 80 e a ousadia dos movimentos pontiagudos e imprecisos da vanguarda "perfumística". Uma obra romântica e desconcertante, que inspira belas palavras.
Perfume, música, poesia andam sempre muito próximos: são formas de expressão da arte de encantar, tornar belo, seduzir.
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Outros colegas também escreveram sobre o assunto:



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Eros

Entre as fragrâncias da casa, Eros é, seguramente, a que menos me agradou. Isso por uma simples razão: esperava algo mais criativo, inovador e desafiador de uma marca que já nos presenteou com The Dreamer, por exemplo. 
Eros é inspirado na mitologia e busca reafirmar, no conceito, na cor do frasco (o mar Mediterrâneo) e no próprio nome do perfume (a mitologia), o estilo Versace, ou seja, o espírito da grife. Entretanto Eros se apresenta como mais um dos inúmeros aromáticos fougère com acento oriental, destinados a homens urbanos, contemporâneos, patati, patatá. Não vejo nada que o diferencie dos inúmeros perfumes "moderninhos" de O Boticário ou dos flankers intermináveis de Quasar ou de Connexion, por exemplo, todos figurando entre a nova tendência do mercado. Aquelas notas cítricas e aromáticas, acompanhadas de algum condimento, e com base adocicada de baunilha ou fava-tonka já senti em Bvlgari Black, Le Male, Hot Water, etc  etc etc...
Além do mais, a cabeça da Medusa que decora o belo e labiríntico frasco me faz imaginar mistérios, enigmas, surpresas. Nada disso: Eros é uma triste reincidência.
Criado por Aurelien Guichard, sob a supervisão de Donatella Versace.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Jean-Claude Ellena

Autor do livro "O Diário de um nariz.: Um Ano na Vida de um Parfumeur", em que narra, em dias alternados, algumas curiosas experiências relacionadas à inspiração, concepção e criação de algumas fragrâncias, é hoje o perfumista da casa Hermès, uma das mais reconhecidas marcas de perfumes do mundo.
Nascido em 1947, em Grasse, a cidade francesa que respira perfumes, filho de perfumista, teve oportunidade de lidar com o processo de fabricação de essências desde muito cedo. Aos 20 anos se matriculou na escola de perfumaria Givaudan e logo após trabalhou como perfumistas para uma série de empresas do ramo. Já criou belas obras para Bvlgari, Van Cleff e Arpels (como First), Cartier, entre tantos.
Em 2004 foi nomeado perfumista da Hermès, lançando o sucesso estrondoso Terre d'Hermès, um dos perfumes masculinos mais vendidos na França.
Ellena é considerado por muitos, do ramo, o poeta dos perfumes, devido ao seu jeito de se inspirar e de criar suas obras de arte.

Georgia

Recebi recentemente minha mais nova aquisição: um mimo dos anos 90, ao qual eu não tinha acesso há bastante tempo. Georgia é uma fragrância feminina da nacional e cada vez mais difícil de se encontrar Chlorophylla. Lembro-me do aroma maravilhoso que sentia nos corredores do edifício Primus, no centro da minha cidade, onde funcionava essa loja espetacular.
Os perfumes da marca são de excelente qualidade e têm outra característica: são perfumes de personalidade. Marro, H, Paradoxo, enfim...
No caso de Georgia, a fragrância é floral/frutal, com um interessante acento  verde picante que a faz bastante distinta. As notas florais brancas de jasmim e tuberosa, frias e profundas, aliadas à suculência das notas frutais criam um corpo feminino denso. Após alguns instantes, a combinação verde cria algo árido em meio àqueles deliciosos acordes florais, adicionando ousadia à romântica sinfonia.
Georgia tem algo de natural, nostálgico e muito feminino. Lembra-nos Anais Anais e outras fragrâncias da segunda metade da década de oitenta e início de 90.
Uma obra de respeito.
Para aqueles que querem conhecer ou matar saudade de Chlorophylla, podem-se comprar os produtos pelo site: http://www.chlorophylla.com.br/

sexta-feira, 20 de março de 2015

ALGUMAS LINDEZAS EM TEMPOS DE CRISE

Interessante a proposta da "confraria": "perfumes lindos em tempos de crise".
De fato, estamos precisando de mais poesia, de mais beleza, principalmente neste momento crítico do país, em que nossas crenças e valores começam a sofrer tantos ataques da má fé alheia, tantas investidas injustas, tantos absurdos...
A poesia é restauradora e tem o poder de sensibilizar, de humanizar, além de amenizar muitas dores. Portanto, falemos de poesia, falemos de perfumes! O perfume, assim como a literatura, a música e a dança, também é uma arte infestada de poesia, de beleza. Pensei nisso ao escolher cinco delicadezas luminosas capazes de encher nossos dias de alegria.
Vamos lá!

1- Começando com J'adore - L'Eau Cologne Florale por uma simples razão: trata-se de um perfume aparentemente simples, inocente e feliz. Muito feliz. A fragrância exala um arranjo cítrico que estimula o revoar das pétalas de magnólias. É floral. É leve. É luminoso. E tem cheiro de amanhecer em dias de primavera.

2- Agora falarei de outra maravilha: Dolce Vita. Primeiro pelo próprio nome e segundo pela concepção. Dior apresenta um perfume de nuances chypre, com notas frutadas imersas em delicado incenso. É alegre e carrega um sutil toque de mistério em meio a suas ondas sutilmente adocicadas.

3- E agora incluirei um nacional que me encanta e me traz ares otimistas: Marro, de Chlorophylla. com seu contraste entre as notas de bergamota e o calor do cravo e da canela, Marro exala casualidade e estilo, com ondas que alternam o frescor com o calor das notas orientais sem, no entanto, carregar a composição. É prático, cotidiano e limpo. Estimulante.

4- Agora quero estimular os sentidos e provocar sonhos. Um perfume que conheci ainda ontem e que já me impressionou: Prada Infusion d'Iris (edt): penso que sonhos bons têm a ver com acolhimento, delicadeza e aconchego. Com seu floral empoado e sua base musk, trata-se de um acalanto. Pó de íris criando um efeito de que gosto muito, assim como Chanel 19 Poudré: limpeza opaca; segunda pele.

5- Para fechar, citarei Chanel 5 por uma simples razão e, para apresentá-la, referenciarei o compositor e poeta José Miguel Wisnik: "Se meu mundo cair, eu que aprenda a LEVITAR".
Meus companheiros de confraria também postaram suas sugestões. Visitem:
A LOUCA DOS PERFUMES
LE MONDE EST BEAU
PERFUME BIGHOUSE
TEMPLO DOS PERFUMES
FLORAL E AMADEIRADO


quinta-feira, 5 de março de 2015

Trip de Eudora

Acabei comprando.
Bem, pra começar, nada original. Trip é uma inspiração que passeia entre o clássico Cool Water e Acqua di Gió. Agradabilíssimo. Totalmente verão, porém, devido às madeiras consideráveis também pode ser usado em dias mais temperados. 
Trip é aromático, aquático e amadeirado e bastante sofisticado também. Tem certa pegada jovem e urbana, com inclinação ao esporte e ao lazer. Contém alecrim, gálbano, além das notas aquáticas na saída; corpo de lavanda, lírio-do-vale e flor de laranjeira e base de cedro e sândalo.
Resumidamente, percebe-se claramente as notas aromáticas, oriundas das ervas, impressões aquáticas e cedro como base; tudo embebido em lavanda.
A embalagem é um chame, com sua cor azul, que alude ao céu e ao mar e sua tampa de metal prata, atribuindo ideia de modernidade, urbani
dade, estilo e arrojamento. 
Recentemente lançou-se a versão Trip Itacaré, em homenagem a um belo refúgio baiano, próximo a Ilhéus.


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