segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Miss Gabriela

Lançado em 2013 e acondicionado em frasco idêntico ao consagrado Gabriela Sabatini, de 1989 (com variação de  cor, apenas), o perfume em questão não me agradou. Isso se deve, e muito, ao meu gosto pessoal, uma vez que em nada me atraem os perfumes de apelo teen, com forte acento de frutas vermelhas, geralmente.
Diria que, senão me dissessem ser um Gabriela Sabatine, enquadraria tranquilamente esse perfume entre as fragrâncias femininas de Mont Blanc ou de Burberry, considerando o "corpo cativo" de ambas as marcas. Há, realmente, algo de muito semelhante.
Miss Gabriela se abre frutal e adolescente, com notas de framboesa e pimenta-rosa. O corpo é floral, predominado as brancas: peônia e jasmim, além do heliotrópio, com seu efeito doce e abaunilhado. 
Na base, notas de cedro e âmbar.
Agora acrescento outro motivo que me fez desgostar do perfume: em sua evolução, ficam arestas, talvez no momento da acomodação dos elementos com o âmbar; algo inacabado, que, em comparação. lembra-nos um cheiro de bala envelhecida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O PERFUME DA REALEZA

A história do perfume passa, necessariamente, pela relação que a nobreza tinha com os aromas. Rainhas e reis, príncipes e princesas, além de outras personagens da nobreza, cheias de exigências e manias, além da vaidade natural que recai sobre essas figuras que inspiram poder e ostentação, foram determinantes para a evolução da perfumaria num dado momento da história. A figura de Napoleão, por exemplo, e sua fixação por perfumes é reincidente em textos que fazem um relato da evolução da perfumaria através dos tempos.
Mas falaremos aqui, mais livremente, não de perfumes que tenham sido os queridinhos de alguma realeza ou de perfumes inspirados e feitos para tal, mas de aromas dignos de serem usados, hoje,  por um rei ou por uma rainha, especificamente.
Começo a falar dos masculinos: que perfume da atualidade seria digno de um rei?
Penso em algo pouco carregado, sutil, porém sofisticado. Penso em madeiras nobres dando suporte a um odor gentilmente cítrico e de núcleo levemente floral. Penso em Armani pour Homme, necessariamente. O clássico de Giorgio Armani que não tem nada de popular e que carrega uma aura límpida, equilibrada, viril e com um toque tradicional, que pode, tranquilamente, remeter-nos à realeza, principalmente por sua alusão às tradicionais águas de colônia. Outra sugestão seria Eau de Sauvage, de Dior, pelas mesmíssimas razões ou porque eu imagine um cheiro real exatamente assim: cítrico, aromático e "classudo".
No caso das rainhas, a coisa fica bem mais complicada, devido à quantidade de opções. Mas vamos pelo mesmo caminho: como deveria ser um aroma feminino real? Bem... penso também em algo sóbrio, o que já me faz descartar perfumes gourmands ou intensamente orientais. Penso em saída fresca, aromática, coração de jasmim e de rosas, com base sóbria de madeiras.
Pronto: pensei em Aromatics Elixir, Clinique, com suas ondas chypre que expressam força, sobriedade, maturidade, com uma pitada de mistério. Outra sugestão, agora levando em conta a história e o poder emblemático do perfume, e também pelo fato de estar relacionado diretamente a duas "rainhas": Gabriele Chanel e Marilyn Monroe, cito Nº 5, de Chanel. Um perfume que tem atravessado décadas e se mantido como objeto de desejo de milhares de mulheres por todo o mundo. Um perfume querido para além de sua fragrância. Um ícone que não pode ser ignorado.
Há tantas outras possibilidades, tantos outras sugestões, mas creio que minhas escolhas sejam bastante relevantes e bem acertadas.
Não deixem de ler os outros posts sobre o mesmo tema, dos meus queridos amigos:
Cris Nobre em: Templo dos Perfumes
Elisabeth Casagrande em: Perfume Bighouse
Diana Alcântara em: A Louca dos Perfumes
Priscila Lini em: Perfumée
Lily Loon em: Parfums et Poésie
Carla Biscaglia em: Pimenta Vanilla
E outros que provavelmente ainda postarão...





sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Coco Noir

Pode-se afirmar que esta fragrância faz parte de uma trilogia (palavra na moda) iniciada com Coco, lançado em 1984, em que predominam as notas orientais, insinuando suntuosidade e sedução. Em 2001, Coco Mademoiselle, com sua golfada de luz, doçura, sedução e modernidade, em que predominam as notas florais e frutais de apelo chypre, com base almiscarada. Por último, a fragrância em questão: Coco Noir, lançada em 2012 e criada pelo mesmo perfumista: Jacques Polge.
Coco Noir tem traços de Mademoiselle, porém com uma sugestão mais oriental, mais fechada, inspirada na cor preta, tão apreciada e reinventada na moda de Gabrielle Chanel.
A fragrância é deliciosamente feminina e discreta, insinuando suas ondas florais cremosas à medida que nos movimentamos. Tem saída impactante, mas logo se acomoda, revelando seu coração floral e esmaecendo com uma base creme-amendoada-cintilante de musk branco, baunilha e fava-tonka, com efeito muito semelhante ao seu antecessor.
Assim como percebo em Allure, os elementos da fragrância não se revelam claramente. Foi necessário que eu passasse dias até poder tentar alguma definição. Há uma certa confusão de movimentos que lhe confere mistério e que nos instiga. Um perfume oriental, obscuro, que, aos poucos revela luminosidade e  maciez. 
Interessante notar que, nos primeiros dias, tive a impressão de estar diante de uma perfume caríssimo e que não tinha fixação ou projeção. Aos poucos, percebi que todos a minha volta o sentiam, não como um aroma invasivo e contundente, mas como uma onda floral de fundo levemente cálido, sofisticado e aconchegante, validando uma das facetas do estilo Chanel. 

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