segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Miss Gabriela

Lançado em 2013 e acondicionado em frasco idêntico ao consagrado Gabriela Sabatini, de 1989 (com variação de  cor, apenas), o perfume em questão não me agradou. Isso se deve, e muito, ao meu gosto pessoal, uma vez que em nada me atraem os perfumes de apelo teen, com forte acento de frutas vermelhas, geralmente.
Diria que, senão me dissessem ser um Gabriela Sabatine, enquadraria tranquilamente esse perfume entre as fragrâncias femininas de Mont Blanc ou de Burberry, considerando o "corpo cativo" de ambas as marcas. Há, realmente, algo de muito semelhante.
Miss Gabriela se abre frutal e adolescente, com notas de framboesa e pimenta-rosa. O corpo é floral, predominado as brancas: peônia e jasmim, além do heliotrópio, com seu efeito doce e abaunilhado. 
Na base, notas de cedro e âmbar.
Agora acrescento outro motivo que me fez desgostar do perfume: em sua evolução, ficam arestas, talvez no momento da acomodação dos elementos com o âmbar; algo inacabado, que, em comparação. lembra-nos um cheiro de bala envelhecida.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O PERFUME DA REALEZA

A história do perfume passa, necessariamente, pela relação que a nobreza tinha com os aromas. Rainhas e reis, príncipes e princesas, além de outras personagens da nobreza, cheias de exigências e manias, além da vaidade natural que recai sobre essas figuras que inspiram poder e ostentação, foram determinantes para a evolução da perfumaria num dado momento da história. A figura de Napoleão, por exemplo, e sua fixação por perfumes é reincidente em textos que fazem um relato da evolução da perfumaria através dos tempos.
Mas falaremos aqui, mais livremente, não de perfumes que tenham sido os queridinhos de alguma realeza ou de perfumes inspirados e feitos para tal, mas de aromas dignos de serem usados, hoje,  por um rei ou por uma rainha, especificamente.
Começo a falar dos masculinos: que perfume da atualidade seria digno de um rei?
Penso em algo pouco carregado, sutil, porém sofisticado. Penso em madeiras nobres dando suporte a um odor gentilmente cítrico e de núcleo levemente floral. Penso em Armani pour Homme, necessariamente. O clássico de Giorgio Armani que não tem nada de popular e que carrega uma aura límpida, equilibrada, viril e com um toque tradicional, que pode, tranquilamente, remeter-nos à realeza, principalmente por sua alusão às tradicionais águas de colônia. Outra sugestão seria Eau de Sauvage, de Dior, pelas mesmíssimas razões ou porque eu imagine um cheiro real exatamente assim: cítrico, aromático e "classudo".
No caso das rainhas, a coisa fica bem mais complicada, devido à quantidade de opções. Mas vamos pelo mesmo caminho: como deveria ser um aroma feminino real? Bem... penso também em algo sóbrio, o que já me faz descartar perfumes gourmands ou intensamente orientais. Penso em saída fresca, aromática, coração de jasmim e de rosas, com base sóbria de madeiras.
Pronto: pensei em Aromatics Elixir, Clinique, com suas ondas chypre que expressam força, sobriedade, maturidade, com uma pitada de mistério. Outra sugestão, agora levando em conta a história e o poder emblemático do perfume, e também pelo fato de estar relacionado diretamente a duas "rainhas": Gabriele Chanel e Marilyn Monroe, cito Nº 5, de Chanel. Um perfume que tem atravessado décadas e se mantido como objeto de desejo de milhares de mulheres por todo o mundo. Um perfume querido para além de sua fragrância. Um ícone que não pode ser ignorado.
Há tantas outras possibilidades, tantos outras sugestões, mas creio que minhas escolhas sejam bastante relevantes e bem acertadas.
Não deixem de ler os outros posts sobre o mesmo tema, dos meus queridos amigos:
Cris Nobre em: Templo dos Perfumes
Elisabeth Casagrande em: Perfume Bighouse
Diana Alcântara em: A Louca dos Perfumes
Priscila Lini em: Perfumée
Lily Loon em: Parfums et Poésie
Carla Biscaglia em: Pimenta Vanilla
E outros que provavelmente ainda postarão...





sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Coco Noir

Pode-se afirmar que esta fragrância faz parte de uma trilogia (palavra na moda) iniciada com Coco, lançado em 1984, em que predominam as notas orientais, insinuando suntuosidade e sedução. Em 2001, Coco Mademoiselle, com sua golfada de luz, doçura, sedução e modernidade, em que predominam as notas florais e frutais de apelo chypre, com base almiscarada. Por último, a fragrância em questão: Coco Noir, lançada em 2012 e criada pelo mesmo perfumista: Jacques Polge.
Coco Noir tem traços de Mademoiselle, porém com uma sugestão mais oriental, mais fechada, inspirada na cor preta, tão apreciada e reinventada na moda de Gabrielle Chanel.
A fragrância é deliciosamente feminina e discreta, insinuando suas ondas florais cremosas à medida que nos movimentamos. Tem saída impactante, mas logo se acomoda, revelando seu coração floral e esmaecendo com uma base creme-amendoada-cintilante de musk branco, baunilha e fava-tonka, com efeito muito semelhante ao seu antecessor.
Assim como percebo em Allure, os elementos da fragrância não se revelam claramente. Foi necessário que eu passasse dias até poder tentar alguma definição. Há uma certa confusão de movimentos que lhe confere mistério e que nos instiga. Um perfume oriental, obscuro, que, aos poucos revela luminosidade e  maciez. 
Interessante notar que, nos primeiros dias, tive a impressão de estar diante de uma perfume caríssimo e que não tinha fixação ou projeção. Aos poucos, percebi que todos a minha volta o sentiam, não como um aroma invasivo e contundente, mas como uma onda floral de fundo levemente cálido, sofisticado e aconchegante, validando uma das facetas do estilo Chanel. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Artisan John Varvatos

Tive hoje uma grata surpresa, quando conheci essa fragrância. Seu arranque cítrico aromático trouxe-me imediatamente à memória Eros de O Boticário, descontinuado há bastante tempo.
A fragrância é masculina, limpa, cristalina, com notas cítricas e lavanda, onde estão mergulhadas as especiarias aromáticas: tomilho, gengibre e manjerona. Interessante que as notas de especiarias não conferem aquele odor temperado típico de uma infinidade de perfumes masculinos, contrastando a lavanda com notas acaloradas. Não. Atribui à fragrância um núcleo herbal, estimulante e que nos remete ao amanhecer.
O perfume conta ainda com discretas notas de jasmim e flor de laranjeira e sua base é de madeiras, âmbar e almíscar, o que, para mim, soam muito discretas, uma vez que a alma desta obra está nas notas cítricas aromáticas de saída que penetram o coração da fragrância e persistem até a sua última pulsação, embora nos últimos instantes perceba-se um odor cítrico acomodado em acordes menos agudos, lembrando roupa limpa ou uma deliciosa bala de limão.
O que define uma importante diferença entre este e o interrompido Eros, de O Boticário, é exatamente o teor de notas amadeiradas que, neste caso, é um pouco mais discreto.
Lançado em 2009.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"Oh! que saudade que tenho da aurora da minha vida..."

Esse famoso verso do escritor romântico Casimiro de Abreu é um lamento nostálgico que evidencia um eu lírico triste e saudoso. E saudade é algo curioso: dor que às vezes vem aguda; outras vezes, chega tão serena e tão sorrateira que não dói e fica gostosa de se sentir... E é assim, dessa maneira imprevisível, que me vêm à lembrança certos aromas, certos perfumes que, mais do que fragrâncias, tornaram-se marcos indestrutíveis de saudosos momentos de minha vida.
Penso que a comercialização de um perfume deveria respeitar certas normas que considerassem e respeitassem a relação e a história do consumidor com a fragrância. Digo isso porque tenho percebido uma enorme falta de trato de algumas empresas que simplesmente descontinuam a produção de um perfume por diferentes razões e deixam sempre alguém desamparado de explicações e sem o seu perfume preferido.
Digam-me, leitores: quem já não passou por isso?
Um perfume é bem mais que um cosmético capaz de conferir um bom odor a quem o usa. Pelo fato de alcançar nossos sentidos, torna-se algo prazeroso, poético e determinante em alguns (e de alguns) contextos. Por isso penso que, ao descontinuar um perfume, não é simplesmente uma atividade de praxe que ocorre, ou seja, não é simplesmente uma atividade prevista em qualquer empresa do ramo: é o desaparecimento de algo que alcança nossas emoções e que nos permite resgatar, reviver e usufruir do que fomos ou vivemos outrora.
Há os que defendem a ideia de que não se deve viver do passado. Concordo. Não vivo do passado: revivo o passado vez ou outra, com imensurável prazer. E os perfumes, assim como as canções, são centelhas capazes de atear fogo alto à memória (Inevitavelmente alguns perfumes descontinuados rescenderam por aqui enquanto escrevia essas coisas. Quase posso senti-los...). E dentre as marcas nacionais que mais desrespeitam o consumidor (nesse quesito) é O Boticário. Há inúmeros itens descontinuados, os quais já listei em outros posts. Dentre eles, dois são meu maior pesar: O masculino Yang e o feminino Exubérance.
Yang, um fougère agreste, verde e amadeirado, com notas almiscaradas de base, capaz de trazer à tona uma profusão de imagens viris e naturais. Exubérance, um chipre grandioso, inspirado na tuberosa e no mel, capaz de revelar feminilidade madura e sofisticada.
Nada substituiu, até hoje, a colônia Yang. Nada que se pareça com essa fragrância. No caso de Exubérance, perfumes importados como Animale, Parfum de Peau, Ysatis nos ajudam a matar a saudade (pelo menos em parte), com suas notas aproximadas em algum momento da evolução.
De fato, a semelhança de muitos perfumes nacionais com os importados é algo a nosso favor. Foi o que ocorreu com outro descontinuado da marca: Spirit of Flowers. Fiquei desamparado até conhecer Cabotine que, ao meu sentir, é idêntico àquele.
Entre os importados, lamento não ter estocado também dois perfumes: Nu, de YSL, e Insensé (amarelo), de Givenchy. O primeiro feminino, opulento, exótico e misterioso; o outro masculino fougère, aromático, incensado e também insubstituível.
Engraçado o efeito do "não poder ter": acabei de concluir que todos os perfumes citados estão entre as melhores fragrâncias que conheci. A escritora Adriana Falcão diz, em outras palavras, que recordação é o passado que volta um pouco mais enfeitado. Talvez essa seja a explicação: será que se eu tivesse todos esses perfumes hoje, ao meu dispor, eu os teria com tamanho gosto e admiração?
Resposta: com certeza (risos)!
Beijo!

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Participam desta mesa-redonda os maravilhosos blogs abaixo:

Diana Alcântara em: a louca dos perfumes
Elisabeth Casagrande em: perfume bighouse
Helen Fernanda em: Helen Fernanda
Juliana Toledo em: le monde est beau
Priscila Lini em: parfumeé
Lily em: parfums et poésie
Cassino em: perfumart
Carla Bicaglia em: pimenta vanilla
Cris Nobre em: templo dos perfumes
Vanessíssima em: van mulherzinha

Agradecendo aos maravilhosos amigos que fazem parte desse grupo, por tanta informação preciosa, tanto companheirismo e carinho.
Adoro vocês!
Cris













 
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

212 Vip Rosé

Assim como seu antecessor 212 Vip, que se inspirou em notas de bebidas a fim de acrescentar uma pitada notívaga, vip e glamourosa à fragrância, o novo 212 Vip Rosé partiu do mesmo princípio, porém com uma diferença: enquanto aquele contém notas do marcante e inconfundível rum, tornando a fragrância gulosa e flambada, este se inspirou na delicada, cintilante e sofisticada sedução do champanhe.
A fragrância abre-se de maneira bem semelhante a 212 Sexy, com generosas notas frutais, suculentas, e, desta vez, embebidas no champanhe. O coração é doce, com a persistência do mix frutal e o acréscimo das flores de pêssego. A diferenciação decisiva, ao meu sentir, está nas notas de base, que conferem um odor mais áspero ao perfume, com madeiras, âmbar e almíscar. Isto é o que 212 Vip Rosé tem de melhor, embora o considere reincidente.
Um perfume bastante teen e que pode realmente agradar àqueles que curtem fragrâncias mais doces e apelativas.
A campanha procura criar a ideia de um grupo seleto, em que se identificam as pessoas da lista por usarem o perfume. Sua frase de efeito: Are you on the list?
Lançado em 2014 e tem como garota propaganda a top Gisele Bündchen.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dolce Vita

Uma delícia de perfume oriental com base amadeirada. Criado em 94, por Maurice Roger, o mesmo criador de Fahrenheit, é uma fragrância radiante que gira em torno da baunilha. Suas notas frutais de pêssego e damasco explodem com o odor cítrico da bergamota e grapefruit, criando um efeito de exaltação e doçura. Feminino, mas não feminista: é muito acessível também aos homens. As madeiras asseguram sua personalidade, enquanto que as especiarias como cardamomo e canela criam um interessante efeito incensado do qual emerge a doçura de flores, como magnólias, e doces frutos. Dolce Vita se insinua distraidamente místico, com sua profusão floral/frutal em meio ao arranjo de especiarias e marca sua presença de maneira alegre e despretensiosa.
Chamou-me a atenção o efeito das notas de coração: após algum tempo, sente-se um mix de madeiras e especiarias com um núcleo tão fresco e otimista, parecendo menta em alguns momentos, que chega a nos fazer sorrir.
Minha única frustração com essa maravilha é a longevidade: não passa de cinco horas em minha pele, o que até se espera de um eau de toilette.
Outro dado importante: que frasco belíssimo, gente! Com dourado e conteúdo amarelo, remete-nos à alegria, ao sol, ao despertar, além do formato em arte damascena, típico da marca.
Tudo lindo!
Texto revisto e reeditado.

O odor das dracenas...

Já fiz um post aqui no blog sobre certas flores da noite. Citei as dracenas, inclusive.
Mas especificamente uma dracena tem me chamado a atenção. Não sei qual o nome e tenho pesquisado muito... Já me disseram ser a dracena de Madagascar, mas não é. Depois pensei que fosse a chamada dracena leque... e ainda não tenho certeza.
A questão é o cheiro...
De verdade: nunca senti numa flor um cheiro tão diferente.
É fato que uma rosa e um jasmim têm odores muito distintos, mas as flores brancas da noite, de modo quase geral, têm cheiros bem parecidos: jasmim, murta, flor de café etc (exceção para a dama-da-noite). Entre as dracenas também é assim. Tenho pelo menos quatro tipos em casa e três deles apresentam flores que eu não distinguiria em termos de aroma. Mas há uma delas que me inquieta. Só floresce uma vez no ano e com abundância. As flores em botão são como pequenos bastões de cor marrom (parecendo a ponta de cotonetes). Quando se abrem, inundam o quintal e a casa de um cheiro verde, frio e suculento. Há algo de pêra e melões misturado ao odor floral intenso. Um aroma que atinge níveis muito profundos em nossos receptores e marcam definitivamente.
É inevitável não pensar em algum perfume que me remeta a esse aroma...
Escape, de CK, feminino. É isso! A flor tem aquele cheiro agudo e doce de melão, bastante molhado e suculento, frio e inesquecível.
Gosto do cheiro das flores, mas gosto ainda mais de poder senti-los no quintal da minha casa, depois de um dia cheio. Então ponho meus chinelos, após o banho, e entre cães e gatos, curto as primeiras horas da noite bem do jeitinho que gosto.
E você, leitor? Gostaria de falar do cheirinho de alguma flor? Poderia compará-lo a algum perfume?
Vamos lá! Estou esperando (rsrsrs).
Beijo a todos!

Aromatics Elixir

Um perfume criado para estimular os sentidos. Rosas mergulhadas em pachouli. Com base numa concepção aromaterápica, inclui elementos florais e aromáticos sobre um fundo de pachouli, vetiver e musgo de carvalho. É um chipre-floral de primeira grandeza. Tem na base um efeito confortante de madeiras, que asseguram e envolvem as rosas, principalmente, além do ylang-ylang, do jasmim e das tuberosas, alavancadas pelas aromáticas camomila, sálvia e verbena, rescendendo e deixando um gostoso rastro de elegância que transita e o moderno e o clássico. Essa é a sua alma. Posso afirmar seguramente, também, que se trata de uma composição com um dos melhores fixadores. Tem algo que nos remete a mulheres de personalidade marcante, além de distintas e sofisticadas. Agrada também aos homens, por ser um perfume com base nitidamente amadeirada. 
De fato, temos um poderoso elixir. O elixir da nobreza outonal. Algo que também se encontra em Paloma Picasso. É uma daquelas fragrâncias que fazem de quem a usa seu súdito para sempre... Um chipre exemplar, com aquele gostoso efeito acolhedor de base, típico dessa família olfativa.
Apresenta-se na versão parfum de 50 ou 75ml e não é tão comum nas lojas do ramo.
Texto revisto e reeditado.
 

sábado, 13 de setembro de 2014

Comemoração!

Não sei se perceberam, mas nosso cabeçalho ganhou uma modernizada.
Nosso blog está atingindo os 300.000 acessos e, como é de costume, "ponho a cara na reta" (rsrsrs).
Minha alegria é imensa, até porque sei que são 300.000 acessos de pessoas que compartilham comigo essa gostosa mania, essa deliciosa atração pelos diferentes cheiros que marcam profundamente a nossa história.
Comecei esse trabalho como um passatempo, sem maiores preocupações e, vejam só: continua sendo um dos meus prazeres, embora tenha me trazido algumas responsabilidades. Mas isso não é uma reclamação. Pelo contrário: tem sido um bálsamo para os dias mais atribulados e preocupantes.
Mais uma vez agradeço aos meus seguidores e a todos que acessaram ou acessam regularmente esse cantinho perfumado e sagrado pra mim.
Muito obrigado a todos! Espero que tenhamos muitas centenas de acessos pra comemorar..
... E um brinde com a minha cervejinha (nesse caso dispenso o champanhe)!
Obrigado a Sarah (Li), Yvan, Malú, Dâmaris, Priscila (e a todos da "távola",  como diz a querida Beth), Claudinho, Afrânio, Vana, Heriks, Alessandra, Samira, Tânia, Kaká, Cláudia, Luciana, entre tantos outros...

Essencial Feminino

Tenho certa reserva com Essencial Feminino, uma vez que me senti desrespeitado desde que tiraram de linha a primeira versão, muito semelhante ao Dune, de Dior, e que eu adorava.
Com relação ao Essencial atual, não o considero tão essencial assim, entretanto, desta vez, a fragrância me agradou.
Estou até meio perplexo, uma vez que o perfume de que falarei agora já é a terceira versão para Essencial Feminino (sendo que a segunda não me agradou nem um pouco).
Bem, vamos ao que interessa: senti a fragrância atual, pela primeira vez, em uma colega de trabalho e logo perguntei: que cheiro é esse?
Uma coisa é certa: original. 
O perfume tem saída cítrica e um tanto tropical. O corpo é floral e contém, provavelmente, notas que bastante se aproximam do efeito das frutas, mesmo que oriundas das flores, além de manter aquele cheirinho verde típico de Natura.
O ponto forte dessa fragrância, ao meu ver, é a combinação cítrico-floral combinada ao fundo macio e confortável do que acredito ser musk, âmbar e/ou baunilha (talvez fava-tonka).
Cria-se uma atmosfera que, para mim, não tem nada de sensual (como é descrita a fragrância: floral/sensual). O que sinto é pura ternura e conforto.
Uma fragrância que combina com qualquer ocasião e que pode ser facilmente compartilhada.
Um bom perfume, com boa fixação e projeção interessante quando alcançadas as notas de base.
Claro que, quando penso em Essencial de Natura, até pela própria imagem que se buscou criar de uma das linhas mais caras na marca, não imagino uma fragrância como essa. Mais uma vez afirmo que a primeira versão me era bem mais interessante. Entendo, porém, que para o nosso clima, uma colônia combina bem mais que um perfume tão intenso como o primeiro.
Mesmo sendo eau de parfum, este Essencial tem tudo para figurar entre as versões tupiniquins de boas eau's de toilette, porém com uma fixação considerável.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Juicy Couture

Apresento o principal perfume de uma marca que tem crescido rapidamente entre as "patricinhas" que curtem uma moda divertida e glamourosa, principalmente depois que as queridinhas Paris Hilton e Britney Spears posaram com suas roupas de treino em veludo rosa.
A marca foi criada na Califórnia por duas amigas, em 1997, e tem invadido os países do mundo, já dominando Estados Unidos e Japão.
O perfume, ao contrário do que se possa pensar, não é nada "patricinha", ou seja, está longe de ser uma daquelas composições de frutas vermelhas ultra ambaradas e afogadas em baunilha. Nada disso. Juicy Couture é luxuoso e tem um quê de classicismo adorável. Começa com notas doces, suculentas e frescas de maracujá, maçã-verde, melancia e tangerina, logo envolvidas por efeito de flores brancas e orvalhadas, como tuberosas e lírios. A combinação floral com as notas frutais suculentas criam um aspecto frio e profundo, denso, lembrando Anais Anais, inicialmente, e encaminhando-se para o coração de Jasmim Noir, de Bvlgari, e Crystal Noir, de Versace, certamente. A base ratifica essa impressão, quando atribui à sinfonia algo mais cremoso, graças à presença de baunilha, caramelo e crème brûlée, fazendo jus ao nome que carrega, o que não torna a fragrância goumand (outra tendência teen).
O frasco é de extremo bom gosto e bastante vintage, lembrando os perfumes com "tampas aplicadoras", embora esconda uma válvula padrão.
A fragrância foi criada por Harry Fremont, em 2006.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A poção da eternidade

Um tema lindo, proposto por uma pessoa linda: Li, do blog Parfums et Poésie, para a mesa de setembro, da nossa "confraria".
Imagine você, numa expedição ao interior das pirâmides do Egito, deparando-se com um frasco de perfume até então oculto, por todos esses incontáveis anos, em um nicho escavado na parede...
Como seria seu frasco? E o mais instigante: seu cheiro? Ahhh... só de imaginar, crio um perfume surreal, poderoso e nunca antes sentido...
Pesquisas recentes encontraram num frasco metálico vestígios do que teria sido o perfume da rainha Hatshepsut (c. 1473 a 1458 a.C.). Isso os levou a imaginar qual seria o perfume usado pelos egípcios. O incenso está entre os aromas mais prováveis, considerado o perfume dos deuses. Além disso, acredita-se que frutas, ervas e madeiras aromáticas eram imersos em óleo até que este ficasse saturado de fragrância.
Mas vamos além, já que a proposta é imaginar...
Imagino um perfume que tenha sido criado especialmente para imortalizar alguém e que, necessariamente, tratar-se-ia de uma obra única e inavaliável. Mais que isso: teria que se corresponder com o impalpável e sobre-humano.
Já que preciso dar contornos ao seu cheiro, tentando transmitir o que imagino, terei que estabelecer algumas relações. Imediatamente penso em Opium, de YSL. O cheiro da canela, envolvendo o jasmim, confere à fragrância ares de nobreza antiga, o que cairia muito bem a essa nossa simulação.
Mas preciso de algo mais: algo que, além de aprisionar o tempo num frasco e revelar toda a nobreza de outrora, possa também revelar a magia de um perfume e seu poder de embelezar e tornar imortal e pulsante o espírito a quem foi destinado. Este é Éden, de Cacharrel - um elixir que parece concentrar todas as primaveras, desde a criação, a emanar flores cálidas e embebedadas pelos ecos do tempo. Éden não é só uma alusão ao paraíso: é a memória da beleza.
Não proponho aqui o resultado da mistura dessas duas maravilhas até agora citadas, mas algo que pudesse relevar as poéticas  impressões dessas fragrâncias tão distintas e tão significativas. De qualquer forma, o que predomina em minha imaginação é o acento oriental da fragrância. As especiarias, o aroma da baunilha em comunhão com as madeiras, as resinas, como a mirra e o láudano, arrematando os odores florais, dão ao perfume a suntuosidade necessária para que possa ser digno de um rei ou de uma rainha.
Outro efeito interessante é o incenso. Fragrâncias de base incensada carregam em si o sagrado e o profano. Há algo de misterioso e etéreo nessas composições.
Entre as obras em que figuram tais resinas ou, em outras, os mágicos incensos, estão  Roma, de Laura Biagiotti; Le Baiser du Dragon, de Cartier; o descontinuado Triumph, de O Boticário; Al-Rehab De Luxe; Arabian Nights, de J Del Pozzo, entre tantos outros...
Se pudéssemos colocar o que há de mais encantador, de cada um desses perfumes, num mesmo frasco, certamente teríamos um perfume digno de um faraó, pronto para perfumar o humano ao encontro do divino.
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Confiram as postagens dos meus amigos blogueiros, tratando do mesmo tema:
Village Beauté
Le Mond est Beau
Parfums et Poésie
Parfumée
Perfume Bighouse
Templo dos Perfumes
Perfumart
A Louca dos Perfumes



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Compartilháveis: eu uso, tu usas, ele usa...

Em primeiro lugar, vamos deixar de lado essa mania de rotular uma fragrância como masculina ou feminina. 
Entendo que, no passado, os perfumes eram destinados às mulheres, explorando, inicialmente, o aroma de uma única flor, como jasmim ou rosas. Para os homens, criou-se o hábito de perfumar o lenço com notas de lavanda (era o máximo que se permitia), criando um efeito fresco e natural, lembrando o cheiro da relva. Desse costume surgiu uma das famílias olfativas: o grupo fougère.
Mas hoje os tempos são outros.
A perfumaria evoluiu e passou a apresentar uma infinidade de possibilidades, em combinações de ingredientes sintéticos ou naturais, o que também ampliou o leque se opções para homens e mulheres. Outra coisa: o homem hoje é menos tradicionalista (para não dizer preconceituoso). Preocupa-se mais com a aparência e com a forma com que se apresenta. É mais vaidoso e, não necessariamente, menos viril.
Ainda assim, a perfumaria  quase sempre distingue: notas intensamente florais ou frutais são femininas. Notas cítricas, alavandadas ou intensamente amadeiradas são masculinas. Claro que muitas marcas, percebendo a mudança nos paradigmas, lançaram algumas fragrâncias mais ousadas, adicionando notas mais florais ou de baunilha, por exemplo, aos perfumes masculinos e madeiras mais intensas aos femininos. Bons exemplos são as casas Jean Paul Gautier e Calvin Klein, que são se prendem a padrões. Alguns exemplos destas e de outras casas são Le Male, de JPG, cujas notas doces de baunilha dão ao perfume um caráter menos rústico e mais feminino; também a violeta de Fahrenheit, de Dior, e as madeiras intensas de Le Baiser du Dragon, de Cartier. Outro exemplo interessante é o mix guloso de Body Kouros, permitindo que elas também se deliciem com um perfume "de homem", e o de Hypnotic, de Dior (muito bem lembrado pelo Yvan), que, embora bastante doce, contém notas severas de coco e jacarandá.
As fragrâncias mais frescas e casuais, de diferentes marcas, já são bastante apreciadas pelos garotos. São as águas refrescantes, inspiradas na lavanda, nos cítricos e também em notas marinhas: Free, de O Boticário; a coleção Brisas, de Eudora; as deliciosas colônias da tradicional Roger e Gallet, entre muitas outras.
Vale dizer, entretanto, que as fragrâncias não precisam ter inclinações "compartilháveis" para que possam agradar e ser usadas pelo gênero oposto ao que ela se destina. Há homens que preferem fragrâncias mais doces, enquanto certas mulheres não abrem mão do seu Azzaro pour Homme.
Seguem algumas sugestões, incluindo as dicas de alguns dos meus seguidores:

- Para eles, perfumes delas:

Ô de Lancôme, Laguna de Dali, Free de O Boticário, Thaty de O Boticário, Amarige de Givenchy, Le Baiser du Dragon de Cartier, Opium de YSL, L'Eau d'Issey de Issey Miyake, J'Adore de Dior, Clinique Elixir, Nº 19 de Chanel, Nº 5 de Chanel, Cabochard de Grès, Cabotine de Grès, Coco Mademoiselle de Chanel, Hot Couture de Givenchy, Calandre de Paco Rabbane, Jasmim Noir de Bvlgari, Obssession de CK, Ange ou Démon de Givenchy, Acqua Fresca de O Boticário, Burberry etc. etc. etc...

- Para elas, perfumes deles:

Body Kouros de YSL, 4711 de Mü
lhens, Le Male de Jean Paul Gautier, Eau Sauvage de Dior,
Fleur du Male de JPG, Dimitri de O Boticário, L'Eau d'Issey de Issey Myiake, Very Irresistible de Givenchy, Pi de Givenchy, Fahrenheit de Dior, 212 Sexy Men, Boucheron pour Homme, Zino de Davidoff, 212 Men, Jazz de YSL, Diesel Zero Plus, Acqua di Parma, Acqua di Gió de Armani etc. etc. etc...
É claro que já existem os clássicos reconhecidamente compartilháveis: CK One e Gautier 2 são bons exemplares.

Por hora é só.
Gostaria de ouvir as sugestões de vocês, queridos leitores. Vamos lá! Quais perfumes você indicaria?
 
 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Desodorante Rosalie

Mais uma crise de saudosismo!
Quando redescobri o frasco desse mimo, por acaso, na Net, disse: - eu preciso compartilhar isso com meus leitores queridos.
Sei que as impressões que cercam nossas lembranças são muito subjetivas. O que me toca profundamente pode nem fazer cócegas em outro. É claro, porém, que há uma possiblidade maior de encontrarmos algum correspondente para essas impressões quando resolvemos falar delas. E por isso resolvi falar de Rosalie - Desodorante.
Não tenho o hábito de resenhas ou comentários sobre desodorantes, mas, por outro lado, entendo que um blog que fala de fragrâncias não pode ignorar uma ou outra fragrância marcante simplesmente por figurar em um desodorante.
Conheci Rosalie quando criança. Lembro-me de vê-lo sobre a penteadeira de minha mãe. Ela o comprou num desses chás da tarde, antigamente muito comuns, promovidos por consultoras, as quais expunham seus produtos como demonstradores. Vendia-se de tudo: cremes, shampoos, desodorantes, perfumes, sabonetes, gel de massagem (o doutorzinho) etc.
Minha mãe comprou o Rosalie...
Aquele frasco rosa, gordinho e pequeno ... Aquele aroma floral, bem fresco e cintilante, bem romântico e orvalhado, com notas de rosas frescas e há pouco desabrochadas... Isso marcou minha memória.
O curioso é que me esqueci completamente dessa fragrância, até que conheci Glow, de JLo... Alguma coisa ali despertou minha lembrança... Acho que isto, exatamente: a combinação floral típica dos anos 80 envolvida por um arranque mais fresco, mais leve e estimulante...
Também me lembra Rosalie o famoso Eternity, de CK e uma das raridades que a querida Sarah me enviou: Remember Me, de Dior.
Hoje procuro essa preciosidade. Até encontrei a marca na Net: a outrora bem famosa Christian Grey. O desodorante até aparece, com seu talquinho companheiro, mas "esgotado". Espero em breve poder sentir esse cheirinho que só Rosalie tem.
..........
Alguém conheceu esse cheirinho? Compartilhe!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Perfumes bons ou baratos? Tenho que escolher?

É com prazer que escrevo meu primeiro post que participará da mesa-redonda de um grupo de amantes de perfumes, os quais citarei ao final deste.



A proposta é interessante: "Perfumes com preços acessíveis, os favoritos". Curioso notar que há duas maneiras de tomarmos a proposta, no que diz respeito à interpretação do sintagma "os favoritos". Ou seja, os perfumes com preço acessível são os favoritos ou quais são os perfumes favoritos com preço acessível?
Bem, não farei aqui uma relação de perfumes bons e com bom preço. Quero, em vez disso, gerar uma pequena reflexão a respeito do tema. Independente do caminho que se tome, cabe, antes de mais nada, pensarmos no que pode tornar um perfume tão caro.
Fatores como marca, matéria-prima e distribuição são determinantes, além dos impostos e de outros quesitos, como a publicidade, narizes envolvidos, designers etc.  
Por exemplo: marcas como Chanel, Dior, Gucci, YSL, Givenchy entre outras são consagradas e só por isso já encarecem um perfume. Matérias-primas, quando naturais, custam mais que o dobro, às vezes, que um correspondente sintético. A íris e a tuberosa são exemplos disso. A escassez proposital de um perfume em lojas do ramo também pode levá-lo a preços meteóricos. São estratégias criadas para valorizar um produto e distanciá-lo do apelo popular. Paradoxalmente, com tal manobra, o perfume passa a ser reconhecido e desejado por todos, mas obtido por poucos. Isso me lembra a estratégia de marketing da cantora Marisa Monte: quando fazia seus shows nas boates de Ipanema, Leblon, arrancava elogios e delírios dos maiores críticos de música. Recebeu muitos convites pra gravar, mas resistiu enquanto pode. Quando lançou seu primeiro disco, foi aquele sucesso, obviamente. Ainda hoje a cantora mantém certo controle sobre o fluxo de gravações, chegando a ficar até dois anos sem lançar um disco, para delírio, ansiedade e desespero dos fãs.
Bem... voltando aos perfumes, há muitas empresas, inclusive francesas, que copiam grandes obras. Não que sejam tão aquém de uma obra-de-arte, mas são alvos de preconceito por parte dos mais exigentes e amantes dos perfumes famosos. Eu também me posiciono contra a cópia desavergonhada de certos perfumes, quando, claramente, até os nomes, ao sofrerem pequenas alterações gráficas e fonéticas, remetem-nos imediatamente aos perfumes originais. Ou o desenho da caixa... Claro: isso é ilegal. Mesmo assim, algumas empresas copiadoras conseguem se aproximar bastante dos lendários e cobram pelas falsificações preços bem mais em conta.
Há também aqueles que se inspiram num tema e até mesmo em uma obra. Não fazem, entretanto, referência alguma ao seu "muso inspirador", nem no nome, nem no design do frasco ou da caixa. São criações que, evidentemente, foram baseadas nesta ou naquela fragrância, porém o fato de se manter certo respeito em relação ao original já me conforta (claro que isso também pode ser cômodo pra mim). No Brasil, por exemplo, temos inúmeras criações de marcas bem conhecidas por aqui "inspiradas" em grandes perfumes internacionais (não vem ao caso citarmos agora).
Minha posição em relação  aos perfumes nacionais também é, de certa forma, incômoda. Assim como meu amigo Yvan, penso que há perfumes muito bons, aliás: espetaculares... com preços bem mais acessíveis que os nacionais e com uma projeção na pele inacreditável . Empresas como Natura, por exemplo, cobram de um perfume até 150,00 reais, quando posso ter um Cabotine, que adoro, por 79,00 reais. 
Não digo aqui que eu não compre ou não use os perfumes brasileiros. Pelo contrário: sou fã de alguns deles, mas creio que posso me realizar completamente com muitos importados de preços inacreditáveis.
Mascas famosas como Greès, Elizabeth Arden e de la Renta, por exemplo, têm preços maravilhosos e criações memoráveis. Há ainda as gratas surpresas dos garimpos. Geralmente, nas lojas do ramo, enquanto os glamourosos estampam as vitrines de todos os lados, num cantinho acanhado estão os
perfumes de segunda linha. Vejam só: segunda linha. A verdade é que essas obras podem conter matérias-primas com qualidade idêntica aos grandes nomes, mas, por pertencerem a marcas pouco reconhecidas, apresentam-se a nós com preços bastante tentadores.
Recentemente conheci um conjunto de perfumes indianos em roll-on, concentradíssimos (na verdade são óleos essenciais) e paguei por eles uma bagatela. São deliciosos e têm fixação de mais de mais de dez horas.
Por último, cabe lembrar aqui das versões "testers". São aqueles perfumes acondicionados em frascos cuja venda é proibida e servem para os lojistas usarem-nos como demonstradores. O preço dessas belezas pode cair bastante. Basta que encontremos alguém que possa vendê-los a nós. 
O importante, na verdade, é sentirmo-nos bem. E cheirosos. Para isso não é necessário gastarmos rios de dinheiro. Basta ter um bom faro e, principalmente, estilo. Hoje, por exemplo, passei o dia com meu Topaze, da Avon - uma versão bem baratinha (15,00) do imortal Chanel Nº  5 (rsrsrsr).

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Leiam também as postagens dos meus colegas sensíveis e perfumados, nos seguintes blogs:
Dênis em: http://www.1nariz.com.br/
Diana Alcântara em: http://aloucadosperfumes.com/
Juliana Toledo em: http://lemondeest.blogspot.com.br/
Priscila Lini em: http://www.parfumee.com.br/
Elizabeth Casagrande em: http://www.perfumebighouse.com/
Carla Biscaglia em: http://pimentavanilla.blogspot.com.br/
Cris Nobre em: http://templodosperfumes.blogspot.com.br/
Vanessíssima CR em: http://www.vanmulherzinha.com/
Dâmaris em: http://villagebeaute.blogspot.com.br/






domingo, 3 de agosto de 2014

Agradecimento

Quero registrar aqui o meu muito obrigado a algumas pessoas que fazem este blog mais feliz. Tenho, graças a Deus, muitos seguidores fiéis aos quais já agradeci inúmeras vezes. Recentemente venho percebendo a presença constante de mais alguns recém-chegados, queridos, que fazem toda a diferença. Entre todos estes e aqueles, quero agradecer ao Afranio, ao Yvan, à Vana, à Sarah, à Lília, à Lily (múltiplas, maravilhosas... rsrsr), entre tantos outros queridos...
Aí vão algumas flores pra vocês!
Bem perfumadas!
Beijos!

Lady Lily

O Boticário não me surpreende com muita facilidade atualmente. Acho a maioria de suas novas fragrâncias reincidentes, pouco criativas, cansativas.
Mas desta vez preciso "dar a mão à palmatória": Lady Lily...
A fragrância me laçou imediatamente, com suas notas florais frescas que dão logo o recado: trata-se de um perfume delicado e singular. Aos poucos, um buquê primoroso se revela: flores brancas, orvalhadas, quase frias... Como se tivéssemos, por algum tempo, uma fragrância uniflore... sem complexidade. Um aroma floral doce e alegre, radiante, cintilante que se acomoda, aos poucos sobre um delicado fundo de baunilha e madeiras discretas, com o cuidado de não roubar a cena das flores, estrelas da composição. A base é discreta, límpida e as frésias, ylang ylangs, gardênias, jasmins e magnólias, perfeitamente combinadas, compõem um aroma único, de uma nova flor, que supera em muito a anterior Lily Essence: mais amarga, rascante e "suja" ao meu ver.
Lady Lily é nobre. Tem aquele tom de equilíbrio e comedimento que o afasta dos apelativos comerciais. Tem luz discreta e mesmo assim cintila e transparece... 
A fragrância me lembrou o tema de J'adore Cologne Florale, inspirado nas magnólias: floral, fresco, docinho, radiante e feliz.
Adorei!


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Odor Ferino


Sabe-se que o feromônio é uma substância química excretada e captada por animais da mesma espécie. Não tem apenas função de atrair sexualmente um parceiro. Os feromônios emitem sinais de alerta sobre o perigo e também avisam aos outros integrantes de uma colônia, por exemplo, onde se encontra a comida.
Mas falemos de sua função sexual nos seres humanos.
Não há, ainda, uma comprovação científica de que mamíferos produzam, de fato, o feromônio. Entretanto, até entre nós, humanos, a questão do cheiro da pele pode ser determinante na hora de se escolher um parceiro, assim como a simetria do rosto, tom de voz etc.
Fato é que o cheiro natural de cada um tem influência na atração entre os parceiros e, obviamente, na repulsa. Se esse cheiro advém da liberação ou não do feromônio, ainda não podemos afirmar.
Na perfumaria, muitas fragrâncias dizem conter a substância "feromônio" sintetizada e prontinha para o uso. Quer dizer: você borrifa e está capacitada/capacitado para atrair um macho alfa (ou uma mulher maravilha) numa esquina qualquer (rsrsrs).
Na verdade, nada se comprovou a respeito desse poder de certos perfumes. A questão da atração está muito além de uma receita pronta que se encontra em qualquer frasco, mas posso afirmar, seguramente, uma coisa:
Independente de conter tal substância ou não, alguns perfumes exercem um forte poder de atração em quem o sente. Não só pelo cheiro agradável, o que já um ponto a favor de quem espera ser notado e desejado. Na verdade, há fragrâncias que despertam de fato nossa libido, nossa imaginação, nossa curiosidade. Perfumes contendo almíscar, por exemplo, são categóricos. O almíscar advém da glândula de um animal, o almiscareiro, e é usado como base de muitos perfumes femininos e masculinos. Logicamente, por razões óbvias, essas notas olfativas vem sido recriadas em laboratório. Há combinações de algumas plantas com certas resinas, por exemplo, que recriam odores como o do âmbar gris, do musk, entre outros. Das raízes da "angelica" e das sementes de um tipo de "hibisco", por exemplo, obtém-se óleos essenciais capazes de imitar o odor do âmbar e do almíscar.
Bem... como eu falava, o almíscar tem um cheiro quente, adocicado e visceral, capaz de combinar com notas florais e amadeiradas, ressaltando o caráter sedutor de um perfume. Ainda existe o âmbar gris, a civeta entre outros. 
São componentes que, dependendo da criação, podem ser um considerável estímulo na arte de seduzir.
Há muitos perfumes inspirados na arte animalesca de seduzir... Em breve falaremos de alguns deles.
Até lá!



terça-feira, 29 de julho de 2014

Sun Moon Stars

Tive acesso a esse perfume na década de 90 e confesso que, na época, não dei muita atenção a ele, por ter relacionado-o, de maneira bem pouco fundamentada, a Eternity, de CK. Realmente há algo que me leva a este último. Talvez o buquê floral romântico, típico dos anos 80, excetuando-se a violeta.
Depois, com o tempo (pra ser mais exato: hoje) voltei a senti-lo e percebi que a fragrância requer mais da minha atenção.
Pra começar, há algo mais exultante em Sun Moon Stars. A saída floral/frutal é explosiva e encantadora. Notam-se ondas suculentas e doces em meio à  delicadeza e feminilidade das flores. Flores de todas cores: rosas, jasmim, frésias... Um estimulante e inebriante mix de flores.
Curiosamente, após afastar o nariz do ponto onde aspergi a fragrância, percebo acordes densos, doces e talcados, persistentes, provavelmente vindos da combinação baunilha, sândalo e âmbar. Um aroma nada vaporoso. Pelo contrário: uma base que dá um tom oriental e um tanto "fechado"ao arranjo explosivamente floral do perfume, afastando-o de uma simples composição primaveril.
Son Moon Stars é um belo perfume. Propicia-nos uma experiência um pouco mais que angelical com as flores.
Seu nome alude aos principais corpos celestes, do dia e da noite. Perfeitamente compatível com as características da fragrância, que não se restringe, não se limita e ainda representa essa festa da beleza e do encantamento.
Lindo!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Omnia Crystalline

Limpo e cintilante. Talvez sejam os adjetivos que mais caibam para descrever essa fragrância.
A obra é rosada, fresca e inspiradora. Tem cheiro de manhã primaveril e de tardes estivais, embaladas por ventos perfumados.
Abre-se floral e discretamente verde. Imediatamente, faz-se sentir o odor fresco de água corrente ou de flores orvalhadas, que abraça tudo, vindo da pera e das delicadas notas de chá.
Ao fundo, o arremate do musk, combinando perfeitamente com as sutis e persistentes nuances florais.
Curiosamente, durante a evolução do perfume na pele, devido ao adocicado frescor que a composição emana, tive a impressão de sentir notas de menta ou hortelã.
Ao fundo, pra não dizer que seu efeito cristalino perdura até o último suspiro, temos notas discretas de madeira, sugerindo um delicado incenso.
Penso que minha amiga Sarah, do blog Parfums et Poésie, certamente gostará, uma vez que torna-se inevitável não relacionar as impressões desta fragrância com alguma melodia doce ou uma poesia orvalhada de belezas...
Criado em 2005, por Alberto Morillas, parceiro consagrado de Jacques Cavallier.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Jacques Cavallier

Esse cara é um dos maiores narizes do mundo, a meu ver. 
Nasceu em 1962, em Grasse, cidade da França conhecida mundialmente pelos campos de flores cultivados para a perfumaria e também pelos inúmeros laboratórios de marcas consagradas.
Filho e neto de perfumistas, aos dez anos de idade já se dedicava a conhecer as matérias primas e a arte da criação de aromas. Passava temporadas de verão nos laboratórios de sua cidade natal e também estudando com o pai, o que lhe deu um conhecimento notável.

Durante o colegial, continuou trabalhando na área e também cursou Inglês e Espanhol na Universidade de Nice.
Mais tarde, aos 28 anos, o encontro de Cavallier com Alberto Morillas (seu grande parceiro de criações) e Chantal Roos (grande inspiradora para ícones da YSL, desde 1976), com quem criou as primeiras obras memoráveis, foi decisivo. 
O perfumista tem estilo versátil e transita facilmente entre muitos temas e tendências da perfumaria. É conhecido como uma pessoa complexa e dotada de um agudo e fino senso de humor.
Sua fama no mundo dos aromas é relacionada ao seu vasto e raro conhecimento de matérias-primas naturais e também, por caminhar com desenvoltura em qualquer direção olfativa, torna-se um curinga para as maiores casas de perfumes do mundo, como YSL, para quem criou algumas de suas principais fragrâncias.
Jacques Cavallier traz no currículo obras como Rive GaucheNuL'eau d'IsseyTroubleCinéma, entre outras e outras grandes criações
O perfumista esteve no Brasil em 2011, para lançar uma linha de perfumes que criou para a marca Polo de Deauville.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Eau de Gingembre

Da tradicional Roger & Gallet, a fragrância em questão é um convite à despretensão, à leveza e ao bem-estar. De estrutura simples, as notas do gengibre, estrela da obra, são proeminentes, acompanhadas de arranques cítricos e borbulhantes, lembrando uma gostosa bebida de limão. A parceria bergamota e gengibre define o tom da fragrância, embora, nos momentos sucessivos, ocorram nuances discretas de almíscares. Não há notas picantes que possam ser representativas. 
Uma colônia alegre, festiva, matinal e muito estimulante. Lançada em 2003.
A brasileira Eudora, do grupo O Boticário, em sua linha "Brisas de Eudora" também tem sua "eau de gengibre" e não fica devendo em nada à famosíssima Roger & Gallet.

domingo, 13 de julho de 2014

Le Temps de Reines for Women


Impossível ficar apático diante do intenso arranque oriental e amadeirado dessa fragrância. Há algo de amadeirado defumado e um resinoso flambado, lembrando-me doces especiarias, como canela, embora esta não conste na descrição. 
Um perfume facilmente compartilhável, devido ao caráter forte de suas madeiras e resinas. 
A presença do patchuli é facilmente percebida, além de condimentos "apimentados", diluídos em notas de folhas de gerânio, muito comuns em perfumes masculinos. 
Mas o que me é mais proeminente são as notas de benjoim, nome dado à goma extraída da casca do benjoeiro, por meio da incisão. Estas são a alma desse perfume, e trazem ares incensados e ecos de culturas orientais. Há algo na fragrância que me remete a um perfume masculino da marca Shiseido, provavelmente "Basala". Lembro-me do dia em que conheci este último: o cheiro de uma bebida, talvez conhaque de alcatrão, não sei... algo doce e defumado... cravos, canela... uma delícia... isso me deixou intrigado por horas.
Uma curiosidade diz respeito às maravilhosas embalagens dos perfumes da marca. Em breve falaremos sobre isso.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Jazz ontem e hoje


Enquanto limpava minha coleção de frascos, fui atraído pela beleza das antigas embalagens de Jazz, de YSL. Um primor de composição, em preto e branco, lembrando as teclas de um piano.
A concepção da embalagem está totalmente relacionada à ideia do perfume, que revela-nos um espírito jovem, porém clássico e sofisticado.
A primeira versão, bem no estilo tradicional, para os que amam o ritual de se perfumar, não continha válvula. A segunda versão mantém a mesma cor e ideia, porém já sofreu mudança em parte do design, sem a tampa, e com válvula vaporizadora.
Provavelmente são duas versões que "conviveram", embora eu só tenha conhecido a segunda.
A terceira versão, comercializada atualmente, é uma perda total. O frasco mantém as cores originais na tampa, apenas, e seu desenho ainda nos remete às versões anteriores, mas sem aquele encanto.
Tudo bem que se busque modernizar o estilo, a apresentação da embalagem, mas é inegável que fica a saudade dessas belezas...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Sr. N


Uma fragrância masculina que já se tornou um clássico.

Lançada inicialmente em 1981 e reformulada em 2007, embora com algumas mudanças, a fragrância manteve seu espírito: verde, aromática, amadeirada e equilibrada.
Sr. N mistura notas cítricas, lavanda, cardamomo e notas de madeiras, como patchuli e vetiver. Não é nada áspera ou agressiva, como acontece com algumas fragrâncias masculinas. Na verdade, o que Sr. N tem de melhor é a harmonia entre os acordes aromáticos e os amadeirados, todos muito arredondados, revelando uma sofisticação bem natural e remetendo-me a regiões montanhosas e frias, cercadas de pinhos.
Um aroma requintado, por ser pouco complexo e, ao mesmo tempo, estimulante, vibrante, limpo e marcante.
Há algum tempo, a Natura lançou as versões Cedro e Âmbar, que, em breve, serão apresentadas aqui.
Um perfume bem brasileiro.

sábado, 5 de julho de 2014

Byzance

Um perfume que marcou a memória olfativa de muitos e que, infelizmente, tornou-se raro.
Byzance é da família dos perfumes aldeídicos, com inclinação chypre, revelando seu caráter tradicionalmente francês.
A fragrância tem como tema a raríssima tuberosa, envolta em um delicioso incenso almiscarado. Remete-nos ao luxo que um bom perfume deve evocar, além de a poderosas fantasias.
A saída é verde e picante, carregada de aldeídos que fazem emergir a composição floral de tuberosas, jasmim, rosas e ylang-ylang. Aos poucos, o efeito esfumaçado do incenso invade o cenário, graças a presença do sândalo, do almíscar e do âmbar, além do efeito floral quente do heliotrópio,
como uma bruma, e torna o perfume empoado, requintado e inesquecível.
Uma obra-prima!
Post dedicado a Yvan.
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