terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Mitsouko

Trataremos aqui de um dos clássicos da perfumaria. Criado em 1919, ao final da Primeira Guerra, inspirado na heroína de uma novela chamada "La Bataille" de Claude Farrère, amigo de Jackes Guerlain, Mitsouko é um chipre frutal de extrema grandeza e um dos principais representantes dessa família olfativa. Pode-se dizer que se trata do segundo chipre na história a obter notoriedade. Diz-se até que Mitsouko é uma reformulação de Chypre - Coty. Seu nome significa mistério e carrega a paixão de seu criador pelo Oriente, mas nada parecido com Opium ou algo assim. Mitsouko  é delicado e insinuante. Com saída fria de frutas cítricas, neróli e pêssego sintético suculento, logo dá sinal de sua personalidade, com algo polvoroso que envolve as flores de rosa, ylang ylang e jasmim. Delicadas e discretas, as flores mesclam-se aos acordes orientais de cravo e canela e evoluem para uma base mais quente e amadeirada de vetiver, benjoim e musgo de carvalho, criando um efeito terroso e esfumaçado. Mitsouko é cálido e evoca a pele em seu silencioso calor. Um perfume como poucos. Frutos, flores, especiarias e madeiras: eis o espírito de Mitsouko.
Apesar de não constar em sua descrição, há alguma insinuação de fundo animalic, civeta, provavelmente, ou algo obtido com o a combinação terrosa do vetiver, úmida do musgo de carvalho e resinosa do ládano e benjoim. 
O que fica é algo realmente surpreendente e sofisticado. Um ar de mistério, exuberância e luxo parisiense que só os bons perfumes chipre expressam. 

After Day

Estive pensando no poder do perfume. Mais especificamente, numa situação que muitos já devem ter experimentado: o cheiro secreto do dia seguinte (ou das horas seguintes...). Como um perfume, misturado ao odor de alguém, que fica em nossa pele, pode ser tão invasivo, tão inebriante, tão avassalador? As notas de fundo de uma fragrância podem levar horas (e até dias) para se dissipar totalmente. E o cheiro secreto de uma noite de carícias e delícias também. Quando esses cheiros se unem, criam-se ondas de pensamento intervaladas pela difusão do aroma que está em nossa pele. Então as lembranças nos transportam ou nos incomodam a ponto de não sabermos o que sentimos. E o perfume tem papel fundamental nesse processo. 
Às vezes crueza e pele, às vezes com o cheiro de cerveja, de vinho, de qualquer outra bebida... Às vezes o cigarro... E engraçado que, por mais que tentemos evitar, o cheiro persiste e invade e incomoda e desconserta... Coisa estranha, mágica!
É o perfume, mais uma vez, provando seu poder e sua soberania na arte de seduzir e de eternizar momentos!
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