domingo, 19 de agosto de 2012

Ma Griffe


Curioso notar como mudam as tendências. Quando senti Ma Griffe pela primeira vez,  fiquei incomodado com a aparente simplicidade desse perfume. Seria o que hoje muita gente classificaria como "cheiro de perfume barato"...  Também ouço dizerem isso de Chanel 5, por exemplo. O que acontece, como já falamos em outros posts, é que cada época tem seus encantos. Antes, até mesmo os conhecidos "soliflores", perfumes pensados com base em uma única nota floral, eram adorados por muitas mulheres da sociedade parisiense. Depois surge Chanel 5, com seus aldeídos mais que exuberantes. Para a época, foi uma revolução. Mais tarde, Opium de YSL, com suas notas orientais e provocantes. Era novo, diferente... Hoje, esses mesmos perfumes, se não forem muito bem entendidos, podem soar como criações antiquadas (já ouvi dizerem até que são perfumes de "velho"). 
Ma Griffe também se destaca nesse cenário. Criado em 1946, é uma fragrância chypre floral, de saída fresca e verde (sálvia, funcho, limão), com aldeídos e fundo animalic. As notas de gardência, íris, ylang-ylang, jasmim e rosas de Ma Griffe formam um "mix" agradável em que nada se destaca ou se anula. Rapidamente as notas de saída e coração se confundem com  a pele e o fundo musk, com canela, vetiver, madeiras e musgo de carvalho impera, deixa um calor bem dosado que envolve as discretas notas florais. A combinação sugere algo talcado, de efeito verde, com notas úmidas de base e vagas impressões de flores.
Muito discreto após alguns minutos, reveste o corpo e acaba se tornando parte dele. 
Apesar da pretensão de Ma Griffe e do forte apelo sensual das publicidades, é uma fragrância leve. Mais romântica que tentadora, talvez pelas novas orientações que temos acerca do que seria um perfume sedutor hoje.
Há uma curiosa história sobre o criador desse perfume: Jean Carles. Segundo contam, o nariz responsável por essa obra era anósmico, ou seja, não tinha olfato.
Lembrou-me o gênio da música Beethoven, que também era privado do que seria sua principal "ferramenta" de trabalho: a audição.

Um comentário :

  1. Tive o Ma Griffe da embalagem dourada, me lembrava muito o Rive Gauche, só que era mais ácido, um pouco menos refinado. Li em algum lugar que Ma Griffe é o preferido de Yoko Ono.

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