segunda-feira, 26 de março de 2012

Nina Ricci: apostando no exclusivo

Uma matéria em "Época Negócios" me encantou recentemente. Assim como a música comercial, muitos perfumes são procurados por serem "top" de mídia. A "febre" aumenta e se alastra por todos os países do mundo, quando se fala de um sucesso francês ou americano. A qualidade, muitas vezes é, realmente, inquestionável, apesar do caráter comercial e pouco exclusivo das fragrâncias. Marcas como Chanel, Gucci, Prada, Dior, entre outras, investem pesado na publicidade. E dá no que dá: perfumes que se tornam o sonho de consumo de muita gente. 
Mas há quem ande na contramão. Sempre há aqueles que preferem viver fora desse circuito de modismos. Há quem use roupas estilizadas, "fora da moda", mas que agradam profundamente. Músicas também: ouvir sempre a mesma coisa, o que todo o mundo está ouvindo, cansa. A música pode até ser belíssima, mas caindo no perigoso fosso do senso comum, pode não resistir. Pode não mais agradar (Estou arriscando com Cold Play).
E por que seria diferente com os perfumes? Já se imaginou exalando o mesmo cheiro que três pessoas a sua volta, pelo menos? Ou passar pela rua e saber que todos identificam o seu cheiro? Ou usar um mesmo tema, mesmo que o perfume seja pouco conhecido? Isso tem acontecido com frequência: a moda agora é a dos florais/frutais ambarados. 
A grife de perfumes Nina Ricci tem pensado nisso. O neto da famosa criadora de perfumes, Romano Ricci, tem sonhado com a volta dos tradicionais perfumistas. Tem criado fragrâncias sem pesquisa prévia. Se o perfume o agrada, ele lança, mesmo que não caia no gosto da maioria. Para ele, é interessante defender uma concepção que contenha a emoção do seu criador. Perfumes criados sem a preocupação com o mercado, sem a inquietação de agradar a todos, tendem a exalar personalidade e sofisticação. 
"Se eu gosto da fragrância, então nós lançamos. É claro que o cliente tem o direito de discordar, ele pode ou não gostar do perfume. Mas para mim todo o processo é válido desde que tenha a emoção do criador. Eu faço meus próprios perfumes, embora não seja um perfumista. Eu aprendi com perfumistas. Eu diria que 90% do que está sendo pelo feito pelo mercado envolve equipes, deixou de ser um processo pessoal. Para mim é o contrário. Por isso, quando começo o processo de criação, sempre tenho na mente a imagem da mulher que usaria esse perfume."

4 comentários :

  1. Belo post, acredito que o perfume não pode ser tratado como moda... Ele é a expressão sua. Transmite sentimento, personifica... Concordo com matéria, o processo de criação deveria partir sempre da mulher que usaria o perfume!


    abraços perfumados!

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  2. ...E se vira moda, perde sua principal função, né?

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  3. Muito interessante. Aí estamos abordando o perfume como criação artística, como obra de arte, o que vem a ser corretíssimo quando você pensa em Sophia Grojsman, por exemplo. Antes de perfumista, considero-a uma artista da perfumaria. Seu "Paris", criado para Yves Saint Laurent é como uma pintura de Renoir.

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