sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Segredo de Chanel Nº 5


Nestas minhas mais que merecidas férias, tive o prazer de encontrar uma obra deliciosa sobre o perfume mais vendido e desejado em todo o mundo: Chanel 5. O livro, da escritora Tilar J. Mazzeo, especialista em tratar de assuntos relacionados ao mundo do luxo, conta a história de Gabriele Chanel e do surgimento do fabuloso perfume que a imortalizaria. Com detalhes interessantíssimos envolvendo todo o contexto de criação desse precioso aroma, a obra é bem mais que uma biografia: é um dossiê sobre todos os mitos e lendas que cercam Chanel Nº 5 e sua idealizadora. Além disso, a autora propõe justificar o sucesso do grandioso perfume não como um reflexo de uma inteligente campanha de marketing, mas como uma consequência natural que envolve  a fragrância mais bem planejada, idealizada e arquitetada de todos os tempos. 
Senti, então, necessidade de dividir alguns trechos da obra, resumidos em outras palavras, com meus queridos visitantes e fiéis seguidores.





A experiência olfativa que Coco Chanel vivenciou nos seus anos de orfanato está relacionada intimamente com a cor branca das paredes caiadas, com a severidades dos lençóis fervidos em raízes perfumadas, o cheiro das roupas empilhadas e passadas nos armários aromatizados com pau-rosa e verbena, o cheiro de limpeza do chão de pedra esfregado com sabão, dos corpinhos das crianças esfregados com rudeza, as flores que cercavam seu ambiente, paixão e missão do fundador de Aubazine (o orfanato) - o santo Étienne -  por todos os lados... Enfim: o cheiro de tudo limpo e austero.




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Por outro lado, Coco também desejou que seu perfume tivesse cheiro de mulher. Um equilíbrio entre flores que, para a época, eram símbolo de nobreza e refinamento, como as rosas, por exemplo, e as preferências das mulheres chamadas demi-mondaine, ou prostitutas, como o jasmim. 
Coco vivia como atriz/cantora, após sua saída do orfanato, e tornou-se amante de um dos oficiais que frenquentavam a casa onde trabalhava. Isso a colocava numa espécie de "limbo social". Com isso tinha acesso ao "sub-mundo" em que viviam as cortesãs, que se encharcavam de jasmim, patchuli e almíscar, conotativamente sexuais e, ao mesmo tempo, admirava as boas moças escolhidas pelos mesmos oficiais e exibidas na sociedade, cheirando a rosas e a violetas...  




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A cada 30 segundos é vendido um frasco de Chanel Nº 5 em algum lugar do mundo.




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Químicos afirmam que os aldeídos, ingredientes sintéticos presentes em altas doses em Chanel 5, têm efeito de estimular o nervo trigêmeo, ou seja, o tecido da satisfação olfativa. A estimulação desse nervo pode desencadear sensações como se uma centelha elétrica percorresse o corpo. Em Chanel 5, a sensação é de bolhas de champanhe explodindo nos sentidos.




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Para lançar seu perfume, Coco Chanel apresentou-o a suas clientes, como brinde, sem dizer que era o perfume da marca e que estavas prestes a ser comercializado.
Também convidou seus amigos mais glamourosos e influentes para se reunirem em um restaurante na Riviera Francesa, onde, furtivamente, aspergia seu perfume no ar, encantando a todos que passavam.


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A decisão de criar um frasco tinha sido longa e fascinante. "Elegância", ela disse certa vez, é "recusa", e o frasco para o Chanel Nº 5 foi um ato tanto da memória como de desafio.


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O que o vidro não ia sugerir era uma consideração importante. Em geral, os vidros de perfume antes  de Coco Chanel eram tão enfeitados  e floridos quanto as fragrâncias dentro deles, decorados com requintes espalhafatosos de cor e desenho. Ela queria algo com linhas claras, algo que fosse distinto e simples. Teria linhas tão claras quanto as notas dos aldeídos na fragrância.









2 comentários :

  1. Achei que tinha te parabenizado por esse post, viajei nele quando li a primeira vez, adorei!

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  2. Obrigado, Vana! Sinto sua falta aqui no blog!

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