sábado, 16 de abril de 2011

Essencial Feminino de Natura

Que me desculpem, mas essa política de modernização da qual se valem algumas empresas de perfumaria acaba me irritando profundamente. Essencial Feminino, por exemplo. Ao contrário dos elogios que já verifiquei em alguns blogs parceiros sobre a nova fragrância, o novo Essencial não é uma reinvenção: é um perfume totalmente novo, diferente do primeiro, porém com mesmo nome. Trata-se de um chipre fresco que nada tem a mais do que certas colônias refrescantes, de uso pós-banho, com uma evolução rápida na pele, sem segredos. Os perfumes chipre são os meus preferidos, mas com delicados arranjos florais. Em Essencial, o que se nota são as nunces amadeiradas, lembrando muitos dos perfumes da mesma marca, em que se utiliza palo santo ou resinas, como breu-branco, por exemplo. Pouco inventivo. Ao contrário do original: uma fragrância contendo generosas notas de flores brancas, mediterrâneas, lembrando vagamente Dune de Dior. Era um verdadeiro Eau de Parfum. O que temos hoje é uma água fresca, que poderia ser vendida em garrafões de cinco litros.

Le Baiser Du Dragon

Criado em 2003, esse perfume seria, quase que paradoxalmente, um clássico moderno. Oriental e amadeirado, torna-se sedutor e arrojado. Le Baiser Du Dragon é cálido, quase inflamado, mas terno à medida que se acomoda na pele. Também é luxuoso: as notas de madeira, muito marcantes, se combinam com o amargor das amêndoas, a feminilidade das rosas, do jasmim e da gardênia. Ao fundo, nada mais que chocolate amargo, caramelo, patchouly, âmbar, resinas e madeiras. É um perfume para a grande mulher. Tem personalidade. É feminino, mas tem a rusticidade pulsante das madeiras. Uma obra que visita o imaginário. Uma fragrância com lugar garantido na memória de quem a conheceu. Nada convencional.
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