quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Poison


Um elixir... Um veneno. Um perfume-poção sem precedentes. Poison é uma das fragrâncias que mais marcaram história na perfumaria mundial. Claro: pela sua ousadia nos acentos doces. Inaugurou, assim como Opium de YSL, uma nova tendência olfativa. É como se os bouquets florais da década de 80 fossem reformulados com doses generosas de frutas doces, mel e especiarias... E as flores mais inebriantes... Poison, como disse Elisabeth, em "bighouse", é intoxicante. Impossível passar despercebido. Requer cuidado na dose, no equilíbrio que, se não observado, transforma o remédio em arma letal.
Poison contém, nas notas de saída, diferentemente da maioria dos perfumes (que se apresentam cítricos e aromáticos para, depois, revelarem sua face mais poderosa), frutas doces e impactantes, como amoras, pitangas e ameixas envolvidas por anis, pau-rosa, coentro e pimenta. Ou seja: dá logo seu recado, sem aviso prévio, sem chocalhos. O coração é, de novo, bem doce e quente: mel, canela, incenso, e as flores mais que intensas: tuberosa e jasmim, além da flor-de-laranjeira. O fundo não difere: mirra (responsável por reforçar o mistério da fragrância), almíscar, sândalo e âmbar. Uma bomba estonteante de delícias, prazeres e riscos. Possui admiradores e grandes inimigos. É o tipo de perfume com "personalidade": "ame-o ou deixe-o!" Mas será impossível ignorá-lo.
Poison apresenta-se em frasco de cor escura, roxa, quase negra, prenunciando o poder do perfume. Após seu lançamento, várias marcas puseram no mercado algo inspirado em Poison. De fato, Absinto e Cúmplice são duas fragrâncias nacionais que nos remetem imediatamente à poderosa poção do amor e da luxúria de Dior, mas nada tão perfeito, tão exato, tão inquietante.
Permaneceu por muito tempo como uma das sensações da perfumaria. Hoje não está mais no trono dos mais vendidos ou badalados. É, entretanto, inesquecível. E vez ou outra, alguma alma saudosa ou demasiadamente ousada arrisca-se. O efeito proporcionado é duplo: inquietude e saudosismo.
E que saudade!

4 comentários :

  1. Ah Poison de Dior! Vai ser difícil alguém criar algo como ele... Para mim é a versão mais perfeita da tuberosa (angélica). Gostava mais da caixa e do frasco antigos. Notou que o frasco (sobretudo o antigo) é um coração estilizado, onde o veneno (poison) age? Nada como uma ideia, uma boa ideia...

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  2. Concordo, Yvan! Poison é inebriante. Um marco na história da perfumaria. Recentemente senti quando passei por uma bela mulher (enquanto passeava no shopping). É uma sensação de nostalgia muito gostosa!

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  3. Finalmente agora tenho um Poison 100ml! NADA é como ele. O Absinto e o Cúmplice tentam, mas faltam as notas de pimenta e de incenso, além da surpresa do drydown que é completamente diferente no Poison original. Um pouco caro, verdade, mas vale a pena.

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